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Cientistas tele transportaram um objeto para o espaço. Falta muito para ‘levarem’ os humanos?

Em Star Trek, o Captão Kirk se tele transporta para a nave estelar Enterprise apenas apertando um botão. Essa semana, algo parecido se tornou realidade.

Em uma escala muito, muito pequena, é claro.

Cientistas chineses anunciaram que o satélite Micius detectou o primeiro objeto ‘tele transportado da Terra para o espaço. Aparentemente, trata-se de uma pequena partícula de luz, ou fóton.

Mas será que chegaremos ao ponto de aplicar essa tecnologia em seres humanos, usando o “entrelaçamento quântico” que tele transporta partículas subatômicas?

Segundo alguns cientistas, isso não é impossível, ou pelo menos não será no futuro, mas há alguns grandes obstáculos a serem superados.

Como funciona o “tele transporte quântico”?

O experimento que os cientistas chineses usaram para “tele transportar” um fóton não é exclusivo. Isso já foi feito várias vezes na Terra antes.

Os experimentos usam pares de partículas minúsculas que são “entrelaçadas”, ou seja, que têm suas propriedades vinculadas.

Usando o estranho fenômeno de entrelaçamento quântico, os cientistas podem “transmitir as informações sobre uma partícula por uma determinada distância”.

A partícula não viaja, mas as informações sobre ela chegam a outro lugar instantaneamente, devido à manipulação que os cientistas fazem da partícula “vinculada”.

É algo bastante desconcertante. Einstein descreveu a ideia como uma “ação a uma distância assustadora”.

Os cientistas acreditam que, embora o tele transporte físico seja improvável, a tecnologia pode criar comunicações ultra seguras, nas quais a informação se “tele transporta” de um lugar para o outro.

É possível que cheguemos a tele transportar pessoas?

Em teoria, não há nenhuma lei da física que impeça o “entrelaçamento quântico” de transmitir informações sobre cada partícula de um objeto maior, simultaneamente.

Mas existem grandes problemas a serem superados. Os cientistas dizem que, caso seja possível tele transportar pessoas, isso acontecerá em um futuro distante.

“O que estamos tele transportando é o estado de uma partícula”, diz Ronald Hanson, da Delft University of Technology, na Holanda, após uma experiência bem-sucedida em 2014.

“Se pensarmos que somos apenas uma coleção de átomos encadeados de uma maneira particular, deve ser possível nos tele transportar de um lugar para o outro.”

“Eu não descartaria isso porque não há nenhuma lei fundamental da física que impeça o processo. Mas caso isso chegue a acontecer, será num futuro distante”.

Então, qual é o problema?

Existem barreiras muito grandes que impedem o tele transporte de um ser humano no momento, tornando a ideia basicamente impossível. É provável que isso não mude por um bom tempo.

Para começar, a quantidade de informação a ser transmitida é muito grande.

Nós podemos transmitir informações sobre um fóton, claro, mas alunos da Universidade de Leicester calcularam quanta informação há em uma pessoa, incluindo cada célula de um cérebro humano, e o número é assustador.

Transmitir essa quantidade de informação através de ondas de rádio levaria 350.000 mil vezes a idade do universo (14 bilhões de anos), disseram os estudantes, comentando que “seria bem mais fácil ir andando”.

Transmitir essa quantidade de informação via entrelaçamento quântico e remontar um corpo em outro lugar é impossível sem a invenção de várias tecnologias inimagináveis nesse momento da nossa história.

E ainda que pudéssemos fazer isso, não há qualquer evidência de que a “nova pessoa” estaria viva.

Tem alguém mais otimista?

Independente do assunto, seja clonagem ou viagem no tempo, há cientistas bem mais otimistas.

O físico e divulgador científico, professor Michio Kaku, disse que acredita que o tele transporte poderá ser possível no século 22. É claro que Kaku é conhecido por sua predileção por ideias bizarras, como universos paralelos.

Kaku disse: “Você conhece a expressão “tele transportar, Scotty?” Costumávamos rir dela. Os físicos costumavam rir quando o assunto era tele transporte, mas hoje, ninguém mais está rindo”.

“O tele transporte já é possível em nível atômico. É chamado de entrelaçamento quântico. Acho que, dentro de uma década, já teremos tele transportado a primeira molécula”.

Kaku acredita que chegar até objetos maiores ou até mesmo pessoas, é simplesmente “um projeto de engenharia”, que pode se tornar uma realidade, no próximo século.

Rob Waugh