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Cientistas reproduzem autismo em minicérebros 3D e abrem portas para descobertas

·2 minuto de leitura

Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego estão usando organoides cerebrais — minúsculos modelos celulares 3D gerados em laboratório — para entender uma variação genômica associada ao transtorno do espectro do autismo: a 16p11.2.

A ideia dos pesquisadores é estudar os efeitos dessas variações e buscar maneiras de minimizar seu impacto. Com isso, esses minicérebros imitam as diferenças no tamanho do cérebro. Os autores do artigo também revelaram novas informações sobre os mecanismos moleculares que funcionam mal quando a região 16p11.2 do genoma é interrompida.

Os organoides cerebrais foram criados usando células-tronco. Os pesquisadores obtiveram uma amostra de pele de cada pessoa, deram às células da pele um coquetel molecular que as converteu em células-tronco e as trataram de uma forma que as induziu a se tornarem células cerebrais, preservando o histórico genético único de cada paciente.

Cientistas reproduzem autismo em minicérebros 3D e avançam nas descobertas (Imagem: twenty20photos/envato)
Cientistas reproduzem autismo em minicérebros 3D e avançam nas descobertas (Imagem: twenty20photos/envato)

Os organóides revelaram que a RhoA (uma proteína que desempenha um grande papel em muitas funções celulares básicas, como desenvolvimento e movimento) é mais ativa em organoides com a 16p11.2 deletada e com a 16p11.2 duplicada do que em organoides sem essas variações. Quando a equipe inibiu a RhoA nos organoides semelhantes ao autismo, a migração neuronal foi restaurada aos níveis vistos nos organoides de controle.

No entanto, é preciso se atentar ao fato de que os minicérebros não são reproduções perfeitas do cérebro convencional, e não têm conexões com outros sistemas de órgãos, como vasos sanguíneos e inervações de um coração ou intestino, por exemplo. Além disso, as terapêuticas testadas em organoides cerebrais são adicionadas diretamente. Eles não precisam atravessar a barreira hematoencefálica, estrutura repleta de vasos sanguíneos especializados que mantém o cérebro praticamente livre de micróbios e toxinas, dificultando a passagem dessas substâncias. Dito isso, a equipe planeja testar ainda mais os inibidores de RhoA no futuro.

Para conferir o estudo publicado na Molecular Psychiatry, acesse aqui.

Fonte: Canaltech

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