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Cientistas propõem “caçador de buracos negros” para encontrar o Planeta 9

Daniele Cavalcante
·5 minuto de leitura

Embora seja apenas uma hipótese, a existência do Planeta 9 nos confins do Sistema Solar ainda não foi descartada pelos cientistas. Pelo contrário, existem cada vez mais evidências de que existe alguma coisa de massa planetária por lá, que ainda não possamos ver ou detectar através dos instrumentos científicos que temos à disposição atualmente. A própria NASA admite as fortes evidências disso tudo, mas também não são descartadas as chances de que o Planeta 9 seja, na verdade, um buraco negro primordial.

Agora, cientistas da Universidade de Harvard e da Black Hole Initiative (BHI) desenvolveram um novo método para encontrar buracos negros no Sistema Solar externo e, dessa forma, tentar determinar de uma vez por todas o que é, afinal, este objeto - se é que ele existe. O artigo foi aceito para publicação no periódico científico The Astrophysical Journal Letters, e fala sobre uma missão chamada Legacy Survey of Space and Time (LSST), que observará explosões de buracos negros na região da nuvem de Oort.

Esta missão utiliza o novo método criado por Avi Loeb, Frank B. Baird Jr. e Amir Siraj, da Universidade de Harvard. Eles desenvolveram um meio de procurar buracos negros nos limites do nosso quintal cósmico com base em explosões resultantes de cometas interceptados por buracos negros. É que quando um objeto se aproxima demais de um buraco negro, ele “derrete” por causa do aquecimento no disco de acreção, uma estrutura formada por materiais difusos que giram em alta velocidade ao redor do buraco negro.

Comparativo do suposto Planeta 9 com os planetas do Sistema Solar interno, baseado em evidências da presença de um objeto em nosso quintal cósmico (Imagem: James Tuttle Keane/Caltech)
Comparativo do suposto Planeta 9 com os planetas do Sistema Solar interno, baseado em evidências da presença de um objeto em nosso quintal cósmico (Imagem: James Tuttle Keane/Caltech)

A nuvem de Oort, por sua vez, é uma nuvem esférica que se acredita localizar-se a cerca de 50.000 unidades astronômicas (UA) de distância do Sol - quase um ano-luz. Assim como o Planeta 9, a nuvem de Oort nunca foi diretamente observada porque está longe demais dos raios solares. Acredita-se que essa região é o “berço” de todos os cometas de longo período e do tipo Halley, que entram no Sistema Solar interior, então nada mais lógico do que esperar que alguns deles acabem sendo capturados por algum buraco negro que exista por lá.

Voltando ao estudo, os pesquisadores sugerem que a missão LSST terá a capacidade de encontrar buracos negros observando as explosões resultantes do impacto desses cometas ou asteroides da nuvem de Oort. Como é impossível ver um buraco negro, as explosões são a melhor forma de encontrá-los. “Como os buracos negros são intrinsecamente escuros, a radiação que a matéria emite a caminho da boca do buraco negro é nossa única maneira de iluminar esse ambiente escuro”, explica Loeb.

Assim, o método poderia detectar buracos negros de massa de planeta localizados a borda da nuvem de Oort, ou até cerca de cem mil unidades astronômicas. “Poderia ser capaz de colocar novos limites na fração de matéria escura contida nos buracos negros primordiais”, disse Siraj. A tecnologia atual não é capaz de realizar essa tarefa sem certa orientação, ou seja, sem alguém para apontar onde o buraco negro deve estar.

Em azul, o Sistema Solar conhecido. Em cor-de-rosa, a órbita do BP519. Em amarelo, a órbita simulada do suposto Planetta 9 (Imagem: Lucy Reading-Ikkanda/Quanta Magazine)
Em azul, o Sistema Solar conhecido. Em cor-de-rosa, a órbita do BP519. Em amarelo, a órbita simulada do suposto Planetta 9 (Imagem: Lucy Reading-Ikkanda/Quanta Magazine)

Já o LSST terá um amplo campo de visão, cobrindo o céu inteiro repetidamente e procurando explosões transitórias. Em outras palavras, será algo muito mais autônomo, independente de coordenadas ou de alguém dizendo onde procurar. Como ninguém sabe exatamente onde o Planeta Nove estaria, o LSST pode ser a melhor ferramenta para encontrá-lo.

O novo artigo se concentra no Planeta 9 como o primeiro candidato a detecção da missão LSST, mas isso não significa que será o único. É que o tal planeta tem sido assunto de muita especulação, incluindo teorias de conspiração espacial que afirmam ser o lendário Nibiru, que estaria em rota de colisão com a Terra. Descobrir a localização, órbita e natureza do objeto é a melhor - ou única - forma de colocar um ponto final na história, mesmo que seja para dizer que não existe nada do tamanho de um planeta para além de Netuno.

Se a existência do Planeta Nove, no entanto, for confirmada através de uma pesquisa eletromagnética direta, “será a primeira detecção de um novo planeta no Sistema Solar em dois séculos, sem contar com Plutão”, disse Siraj. O objeto, segundo as evidências encontradas, pode ser algo com uma massa cinco a 10 vezes maior que a da Terra. Se for um buraco negro com essa massa, ele pode ter o tamanho de uma laranja. Se for um planeta, pode ser apenas um pouco menor que Netuno. Nesse caso, seria o menor dos gigantes - mas ainda assim um gigante.

Caso seja confirmado, o objeto imediatamente levantará novas perguntas: “Por que está lá? Como conseguiu suas propriedades? Ele moldou a história do Sistema Solar? Existem mais coisas assim?”, questiona Loeb.

Fonte: Canaltech

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