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Cientistas preveem onde e por quais motivos um novo coronavírus pode surgir

·3 minuto de leitura

Ainda não temos respostas concretas sobre o que, exatamente, provocou o surgimento do SARS-CoV-2, o coronavírus causador da COVID-19. O que se sabe, no entanto, é que o vírus se originou na China, país conhecido pela alta produção de carnes de diferentes tipos de animais, que são criados em grandes fazendas e comercializados em grandes mercados abertos.

Esse fato colaborou com um estudo que busca prever o surgimento de uma nova pandemia. Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, da Universidade Politécnica de Milão, na Itália, e da Universidade Massey, na Nova Zelândia, conduziram um estudo para tentar localizar onde o próximo coronavírus pode aparecer.

Anteriormente, cientistas já haviam encontrado diversos tipos de coronavírus em morcegos-ferraduras, alguns deles, inclusive, praticamente idênticos ao SARS-CoV-2. Segundo os pesquisadores, ainda existem milhares de vírus que ainda precisam ser descobertos, ainda que poucos deles possam ser transmitidos de animais para os humanos.

<em>Morcego-ferradura (Imagem: Reprodução/Guangdong Institute of Applied Biological Resources)</em>
Morcego-ferradura (Imagem: Reprodução/Guangdong Institute of Applied Biological Resources)

Onde um novo coronavírus pode surgir?

Parte do processo dessa pesquisa foi feita com base nas teorias que estão sendo investigadas sobre o SARS-CoV-2, principalmente a de que o coronavírus teria sido passado de morcegos-ferraduras para humanos. Então, os cientistas investigaram os lugares do mundo onde este tipo de transmissão de morcegos para humanos poderia acontecer novamente, considerando ainda se existiu um intermediário.

Os pesquisadores analisaram 10 mil localidades aleatórias da Ásia e da Europa para identificar quais contavam com o maior potencial para haver uma interação humana com esses animais. Foram classificados como focos os locais onde a população de morcegos coincidia com atividades humanas específicas, como criação de gado, assentamento humano e fragmentação florestal. Segundo Paolo D'Odorico, professor de ciência do meio ambiente e um dos autores do estudo, o uso de terras pode provocar uma mudança impactante sobre a saúde humana. "Cada mudança formal de terra precisa ser avaliada para verificar o potencial de reações em cadeia que podem impactar na saúde humana", diz o cientista.

De acordo com a pesquisa, as atividades humanas identificadas aumentam a probabilidade do início de uma nova pandemia de diversas formas, como pelo crescimento da habitação de pessoas em lugares com animais. Além disso, o aumento da produção de gado transforma os animais em hospedeiros intermediários, prontos para infectar humanos que convivem com eles, e o aumento da destruição das florestas prejudica espécies que dependem de habitats específicos, fazendo com que elas se espalhem e, eventualmente, entrem em contato com humanos.

"A China apresenta níveis altos de presença humana em distribuições de morcegos-ferraduras, como comprovado pela densidade da população e pela fração de natureza coberta por vilas, cidades e outros assentamentos. Na China, regiões perto de fragmentos florestais são usadas de forma mais intensa para a produção de gado e assentamento humano, favorecendo o contato entre a vida selvagem e humana, seja diretamente ou através de animais intermediários, como o gado", relata o estudo.

Como impedir o surgimento de um novo coronavírus?

Maria Cristina Rulli, co-autora do estudo e professora da Universidade Politécnica de Milão, diz que a pesquisa vai ajudar a identificar o tipo de mudança que pode induzir ao aparecimento de um novo coronavírus nas terras do país. A pesquisa diz que a saúde humana está interligada com a saúde ambiental e animal, então uma das recomendações será desviar a fragmentação das florestas, criando áreas preservadas de vida selvagem para que as espécies sobrevivam por lá.

O estudo completo está disponível na revista científica Nature Food.

Fonte: Canaltech

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