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Cientistas podem ter encontrado o "elo perdido" das pulsares

Daniele Cavalcante
·3 minutos de leitura

Uma equipe de cientistas investigou um objeto cósmico de comportamento inesperado. Trata-se de um magnetar detectado em 12 de maio deste ano. De acordo com a pesquisa, talvez este objeto explique alguns dos muitos mistérios sobre os diferentes tipos de estrelas de nêutrons.

Quando uma estrela chega ao fim de sua vida, se tornam algo que os cientistas chamam de “estrelas degeneradas”, pois elas perdem as qualidades próprias de uma estrela. Mas o objeto em si não deixa de existir, e existem muitas possibilidades quanto ao que ela pode se tornar — desde buracos negros a estrelas de nêutrons. Entre os tipos de estrelas de nêutrons, existem as pulsares, e entre os tipos de pulsares existem aquelas que são alimentadas por rotação e há os magnetares.

Se uma estrela degenerada segue o caminho para se tornar um magnetar, significa que o decaimento de seu campo magnético fornece a força eletromagnética para o novo objeto. Este campo magnético é incrivelmente forte, podendo chegar a 1 bilhão de teslas — não há nada que sequer chegue perto disso aqui na Terra. Só para se ter uma ideia, um experimento foi proposto para criar um campo magnético em laboratório que possa atingir o recorde terrestre de 1 milhão de tesla. Quase nada comparado a um magnetar.

Ilustração que mostra as linhas do campo magnético que se projetam de uma estrela de nêutrons altamente magnética, transformando-a em um magnetar (Imagem: ESA)
Ilustração que mostra as linhas do campo magnético que se projetam de uma estrela de nêutrons altamente magnética, transformando-a em um magnetar (Imagem: ESA)

Magnetares e pulsares parecem ser duas categorias de estrelas de nêutrons bem distantes uma da outra, mas talvez não sejam tão distintas assim. Assim como as pulsares mais jovens, eles também emitem feixes poderosos de raios-X, mas os astrônomos consideram que o mecanismo que produz esse fenômeno seja diferente em cada caso: enquanto os magnetares fazem isso por causa de seus campos magnéticos monstruosos, as pulsares fazem através de rotações muito rápidas. Além disso, pesquisas recentes mostraram que magnetares também emitem sinais de rádio, algo que se pensava ser exclusivo das pulsares.

Pois bem, o novo magnetar, descoberto em março (chamado Swift J1818.0-1607), foi detectado pelo instrumento Interior Composition Explorer (NICER), e rapidamente a equipe de cientistas liderada por Chin-Ping Hu começou a estudá-lo, e eles acabaram descobrindo que o objeto tinha um período de pulsação de 1,36 segundo, o mais curto entre os magnetares observados até agora. Além disso, as observações da equipe mostraram que ele estava girando, ou seja, parece que este magnetar estava sendo alimentado por rotações velozes, assim como as pulsares.

A pesquisa também revelou que o objeto é um magnetar bastante jovem, com cerca de 420 anos. No entanto, sua emissão de raios-X foi menor do que a de outros magnetares. O que tudo isso significa? Ainda é cedo para explicar exatamente a natureza do objeto Swift J1818.0-1607, mas tudo indica que ele tem características tanto de magnetares quanto de pulsares com rotação. Os cientistas cogitam que ele pode ser um tipo de “elo perdido” entre essas duas categorias de estrelas de nêutrons. Uma classe intermediária, talvez.

De acordo com Hu, o estudo da equipe oferece “uma nova compreensão das estrelas de nêutrons com altos campos magnéticos”. O artigo, publicado no The Astrophysical Journal, também pode ajudar os pesquisadores que investigam as misteriosas explosões de ondas de rádio conhecidas como FRBs, já que há suspeitas de que essas rajadas sejam causadas por magnetares.

Fonte: Canaltech

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