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Cientistas podem estar mais próximos de desvendar nuvem misteriosa de Vênus

·4 minuto de leitura

Em meio a vários fenômenos intrigantes que acontecem em Vênus, está um padrão climático percebido pela primeira vez em dados da sonda japonesa Akatsuki, o que ficou conhecido como “nuvem escura gigante”. Após identificar a formação, cientistas começaram a procurá-la no arquivo de observações anteriores, descobrindo que existem assinaturas dela em dados obtidos durante três décadas inteiras — e, talvez, eles estejam finalmente mais próximos de entender essa formação.

Essa nuvem tem grandes dimensões e se estende por uma grande área da latitude de Vênus em direção ao equador, mas mostra comportamento curioso. "A física das nuvens é algo que, geralmente, opera em escalas de tempo bem curtas", disse Kevin McGouldrick, cientista planetário atmosférico e autor principal do novo estudo. Por isso, observar uma formação que persistiu por tantas décadas ou séculos é estranho, já que o normal é que as atmosferas planetárias estejam sempre em mudança.

Assim, pesquisadores ficam intrigados quando encontram algo na atmosfera que seja persistente. McGouldrick explica que, inicialmente, a nuvem era chamada "disrupção" e era considerada uma transição bruta de uma área iluminada para outra escura. Contudo, havia uma estrutura massiva por trás dela, cuja escala chegava quase à de um hemisfério, e parecia mostrar um comportamento diferente do restante do clima de Vênus.

Vênus em dimagem feita pela câmera infravermelha da sonda Akatsuki (Imagem: Reprodução/JAXA)
Vênus em dimagem feita pela câmera infravermelha da sonda Akatsuki (Imagem: Reprodução/JAXA)

Para deixar o mistério ainda mais complicado, a nuvem foi identificada pela primeira vez nos dados da Akatsuki em um momento em que a nave não estava em uma boa posição para desvendá-la. “Foi complicado entender o que era aquilo somente com os dados da Akatsuki”, disse McGouldrick. A formação continuou aparecendo, tinha morfologia similar e a equipe conseguia rastrear o movimento dela, mas ainda era difícil definir o que estava mudando naquela estrutura. Para esclarecer o que estava acontecendo, McGouldrick e seus colegas começaram a procurar registros da formação misteriosa em dados da missão europeia Venus Express, que estudou Vênus entre 2006 e 2014.

A Venus Express tinha um instrumento que também pode observar a luz infravermelha, e parece ter ajudado a equipe a seguir no caminho certo. Por enquanto, eles analisaram somente alguns blocos de informações, mas McGrouldrick explica que estão começando a entender o que está mudando na nuvem. Por exemplo, pelo menos inicialmente, eles acreditam que a formação pode afetar as proporções de ácido sulfúrico e vapor d’água nas nuvens, o quão baixo elas podem chegar e quais são as partículas que as formam.

Embora a nuvem tenha aparecido nas observações da luz infravermelha, feitas a distância, mesmo que um ser humano pudesse sobreviver às condições da superfície do planeta, dificilmente conseguiria perceber a formação passando no céu. "A paisagem é muito limitada, tem brilho muito uniforme, porque você tem essa luz dispersada em todas as direções", explicou McGouldrick. "Você acaba com essa cor pálida e semelhante em todas as direções, e provavelmente veria isso o tempo todo se pudesse ficar na superfície de Vênus com receptores de luz visível em seus olhos", disse.

A Venus Express foi a primeira missão da Agência Espacial Europeia lançada rumo a Vênus (Imagem: Reprodução/ESA)
A Venus Express foi a primeira missão da Agência Espacial Europeia lançada rumo a Vênus (Imagem: Reprodução/ESA)

De qualquer forma, independentemente da aparência da nuvem, estudá-la de longe pode ajudar os cientistas também a entender melhor alguns fenômenos que ocorrem por aqui. "Vênus é, de muitas formas, o planeta mais parecido com a Terra que conhecemos", comentou ele. "Ao mesmo tempo, é dramaticamente diferente da Terra de várias formas diferentes". A atmosfera chama a atenção devido às características similares com aquelas do nosso planeta, mas que mesmo assim são diferentes — embora os membros da equipe ainda não saibam bem o que causa a nuvem, eles imaginam que tenha relação com outro fenômeno.

A "suspeita" é uma formação atmosférica chamada de "onda Kelvin", que ocorre a altas altitudes na atmosfera venusiana e até na da Terra, já que essa estrutura está envolvida em dinâmicas complexas, como os padrões climáticos do El Niño e La Niña. "Esses realmente acontecem na Terra, mas são um pouco mais difíceis de reconhecer", disse o autor. "Em Vênus, eles são bem mais óbvios". Assim, estudar a atmosfera de Vênus pode ser uma forma de os cientistas compreenderem melhor a da Terra.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista The Planetary Science.

Fonte: Canaltech

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