Mercado fechado

Cientistas estudam a Lua usando apenas um grão de poeira trazida com as Apollo

Daniele Cavalcante

Cerca de 400 kg de rocha lunar foi trazido à Terra pelos astronautas durante as missões Apollo. Isso não é muita coisa se considerarmos a importância de estudar esse material. É preciso economizar, então uma equipe de cientistas decidiu encontrar uma maneira de analisar apenas um grão de pó da Lua.

Eles publicaram um novo estudo que analisa um único grão de poeira, parte do material coletado em 1972 durante a missão Apollo 17. "Estamos analisando rochas do espaço, átomo a átomo", disse a autora principal Jennika Greer do artigo. "É a primeira vez que uma amostra lunar é estudada assim. Estamos usando uma técnica de que muitos geólogos nem ouviram falar", afirma.

A técnica sobre a qual Greer está falando é chamada Tomografia por Sonda Atômica (APT ou Sonda Atômica 3D). Philipp Heck, coautor do estudo, disse que “é quase garantido que você encontrará algo novo ou inesperado”, uma vez que “essa técnica tem sensibilidade e resolução tão altas que você encontra coisas que você não encontraria de outra maneira, e gasta apenas um pouco da amostra".

Isso permite descobrir mais sobre a própria história da Lua. Por exemplo, os cientistas podem analisar amostras para descobrir como a água e o hélio se formaram por lá. Em sua observação da amostra, Greer encontrou água, hélio, ferro e até vestígios de intemperismo causados ​​pela exposição do pó a fenômenos do espaço, tais como micrometeoros e radiação.

A visão microscópica de um grão de poeira lunar (Imagem: Jennika Greer, Field Museum)

Para encontrar isso, ela raspou uma camada de algumas centenas de átomos de material. Embora fosse uma amostra muito mais fina que uma folha de papel, havia centenas de milhares de átomos de espessura. Em seguida, ela colocou a amostra dentro de uma sonda de átomo e usou um laser para retirar cuidadosamente átomos individuais e dispará-los em uma placa de detector para análise. Então, a equipe mediu quanto tempo levou para cada átomo atingir a placa - quanto mais pesado o elemento, mais tempo leva para chegar ao detector.

Essa técnica pode ser usada para estudar o clima espacial, e esse assunto é de grande interesse da NASA. Além disso, o método APT pode ser usada em outras amostras de poeira da lua, como o regolito que veio grudado nos trajes espaciais e ferramentas dos astronautas. De acordo com Greer, "milhares desses grãos podem estar na luva de um astronauta, e seria material suficiente para um grande estudo".

Além disso, a APT pode ser aplicada em amostras de outros corpos do Sistema Solar. Por exemplo os pedaços de rocha do asteroide Ryugu, que a sonda japonesa Hayabusa2 trará à Terra, entre outras missões de coleta espacial. "Esta é uma técnica que definitivamente deveria ser aplicada ao que eles trouxerem, porque usa muito pouco material, mas fornece muita informação", disse Greer.


Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: