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Cientistas estão criando nanorrobôs para combater o câncer

Fidel Forato

Já imaginou uma guerra civil acontecendo entre os glóbulos brancos — células que integram o sistema imunólogo humano — e as células dos tumores de um paciente com câncer? É basicamente isso que acontece internamente, só que agora cientistas estão desenvolvendo uma ajuda extra para o corpo: nanorrobôs. A missão é programar esses soldados-robôs para, um dia, serem capazes até mesmo de eliminar os tumores.

Entre os diferentes projetos com nanobots que são desenvolvidos pelo globo, uma equipe de cientistas da Arábia Saudita planeja implantar no organismo robôs desse tipo que funcionariam como um GPS, em tempo real, e ajudariam na eliminação de tumores. Como espiões, ajudariam a identificar a localização precisa de tumores e descobrir de que forma eles crescem. 

Enquanto isso, uma outra equipe de cientistas de Munique, na Alemanha, estuda como criar nanorrobôs que podem ser guiados por uma imã pelo corpo humano e, assim, serem programados para destruir células cancerígenas. 

Recrutas da Arábia Saudita

Os minúsculos nanobots da Arábia Saudita foram feitos para que, durante uma ressonância magnética, os médicos pudessem observar o desenvolvimento dos tumores através do corpo.  A invenção dos pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia Rei Abdullah também podem ser usada ​​para rastrear, direcionar e administrar medicamentos anticâncer às células tumorais.

"A etiquetagem e rastreamento de células se tornou uma ferramenta valiosa para aplicações clínicas e científicas", explica Aldo Martinez Banderas, estudante envolvido no projeto, em comunicado à imprensa. "Um dos aspectos principais dos estudos de rastreamento de células é a sensibilidade para detectar um pequeno número delas após a implantação, de modo que a forte magnetização e a biocompatibilidade de nossos nanofios são características vantajosas para o rastreamento por ressonância magnética", completa o aluno de biociência.

Cientistas desenvolvem nanorrobôs para atacar células cancerígenas no sangue (Imagem: reprodução/ Vimeo)

Até o momento, esses nanobots não foram usados para atacar células cancerígenas, mas esse é o próximo passo da equipe de pesquisadores. Por enquanto, a invenção vem sendo utilizada ​​para identificar, com êxito, células cancerígenas de mama por meio da ressonância magnética, segundo a pesquisa publicada no Journal of Nanobiotechnology.

Direto da Alemanha

Também focada em encontrar e tratar tumores cancerígenos, uma equipe de cientistas alemães está desenvolvendo um "cardume" de pequenos robôs que podem atacar e até mesmo destruir essas células malignas. No projeto, a ideia é injetar os nanobots, projetados para parecerem e se moverem como glóbulos brancos, nas veias de um paciente. Além disso, serão movidos pelo corpo do paciente a partir de ímãs poderosos.

Os nanorrobôs foram desenvolvidos para "a entrega direcionada de medicamentos, minimamente invasiva, que pode atingir tecidos ainda mais profundos dentro do corpo com rotas de acesso ainda mais difíceis do que era possível anteriormente", explica Metin Sitti, diretor de inteligência física da Sociedade Max Planck, na Alemanha, em comunicado de imprensa sobre a pesquisa.

Publicada na revista Science Robotics, a pesquisa investiga como administrar medicamentos anticâncer com a ajuda de robôs revestidos de níquel e ouro. A ideia é que a invenção tenha a capacidade detectar uma célula cancerígena no organismo e, após essa identificação, possa descarregar sua dose de medicamentos.

"Utilizando campos magnéticos, nossos microrrobôs podem navegar através de um vaso sanguíneo simulado, o que é desafiador devido ao forte fluxo sanguíneo e ao denso ambiente celular", relata o pesquisador. No entanto, os nanorrobôs atuais ainda não podem suportar esse fluxo sanguíneo. Por isso mesmo, os testes seguem a todo vapor.


Fonte: Canaltech