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Cientistas encontram sinais de violência extrema em múmias de 1.000 anos atrás

Análises arqueológicas descobriram que duas múmias de cerca de 1.000 anos atrás, descobertas na América do Sul pré-colombiana, foram brutalmente assassinadas. Um dos pouco afortunados indivíduos foi esfaqueado nas costas, enquanto o outro apresentou trauma severo no pescoço. Além deles, também foi analisada uma terceira múmia, que, por sua vez, pereceu de causas naturais.

Os corpos em questão vieram do Chile e do Peru, e foram estudados como se fosse um caso policial, com os pesquisadores buscando a causa de suas mortes. As análises realizadas só foram possíveis pelo estado mumificado dos restos — quando resta apenas o esqueleto, não é possível notar alguns detalhes como os desse caso, como o ferimento por faca e o trauma por rotação cervical sofrido pelas vítimas.

Múmia de Marburg, como é conhecida, foi encontrada no Chile e teve sua morte causada por esfaqueamento após trauma craniano (Imagem: Begerock et al./Frontiers in Medicine)
Múmia de Marburg, como é conhecida, foi encontrada no Chile e teve sua morte causada por esfaqueamento após trauma craniano (Imagem: Begerock et al./Frontiers in Medicine)

Mumificação e suas vantagens

Restos mortais humanos podem acabar sendo mumificados naturalmente em ambientes muito frios ou secos, bem como em outros ambientes extremos que possam interferir no processo de apodrecimento que, normalmente, acaba destruindo tecidos moles e órgãos. Nos corpos sul-americanos, a conservação foi possível devido ao clima seco da região onde se encontravam — eles foram, posteriormente, preservados por museus da Alemanha e Suíça.

Com datação por radiocarbono, determinou-se que os indivíduos morreram entre 740 e 1.120 anos atrás, ou seja, na época pré-colombiana. Uma das múmias era, provavelmente, da cultura Arica, do norte do Chile, e foi enterrada junto a equipamentos de pesca, o que indica ter vivido em uma comunidade pesqueira.

As outras duas múmias, de um homem e uma mulher, provavelmente vieram da região de Arequipa, no sudoeste do Peru, e foram enterradas vestindo materiais de lã e pelos de lhamas e alpacas, bem como viscachas, roedores da família das chinchilas. Para a reconstrução dos cadáveres, foram realizadas tomografias computadorizadas e criados modelos 3D, que revelaram alguns de seus segredos.

Homem e mulher de Belémont, múmias do Peru — ela morreu de causas naturais, e ele sofreu trauma severo no pescoço (Imagem: Begerock et al./Frontiers in Medicine)
Homem e mulher de Belémont, múmias do Peru — ela morreu de causas naturais, e ele sofreu trauma severo no pescoço (Imagem: Begerock et al./Frontiers in Medicine)

Um dos homens mumificados levou um golpe na cabeça, sendo esfaqueado nas costas em seguida. O outro provavelmente foi morto após sofrer um enorme trauma ao pescoço, que demonstra ter sido deslocado. Eles foram os únicos a morrer devido à violência intencional extrema, já que a múmia feminina parece ter morrido de causas naturais.

Os cientistas, que publicaram um estudo sobre o caso na revista científica Frontiers of Medicine na sexta-feira passada (9), estão empolgados para utilizar a técnica em outras múmias, ou seja, escaneamentos e técnicas de reconstrução modernas. Há, segundo eles, dúzias de múmias sul-americanas cujo estudo faria excelente proveito de uma investigação similar à que realizaram.

Fonte: Canaltech

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