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Cientistas encontram "parentes" do coronavírus em morcegos do Laos

·2 minuto de leitura

Na busca pela origem do vírus da covid-19, pesquisadores ainda investigam o hospedeiro original do coronavírus SARS-CoV-2 e o intermediário, o que comprovaria a origem natural da doença. Agora, cientistas descobriram novos tipos de coronavírus em morcegos de cavernas em Laos — um país do Sudeste Asiático, que faz fronteira com a Tailândia e o Vietnã. Esses parecem ser os parentes mais próximos conhecidos do SARS-CoV-2, encontrados até o momento.

No estudo, publicado como preprint — sem revisão por outros pares — na plataforma Research Square, pesquisadores do Instituto Pasteur, na França, e da Universidade do Laos detalham a descoberta, a partir da captura e análise de 645 morcegos-de-ferradura (Rhinolophus mehelyi). A ideia era rastrear vírus com algum grau de compatibilidade com o SARS-CoV-2 nos mamíferos.

Vírus muito similar ao coronavírus SARS-CoV-2 é encontrado em morcegos num país asiático (Imagem: Reprodução/Simon Berstecher/Pixabay)
Vírus muito similar ao coronavírus SARS-CoV-2 é encontrado em morcegos num país asiático (Imagem: Reprodução/Simon Berstecher/Pixabay)

Afinal, a origem do coronavírus é natural?

Nas amostras do Laos, os cientistas identificarem três potenciais vírus que poderiam ser a origem dos primeiros vírus da covid-19, após o transbordamento para a espécie humana. São eles: BANAL-52; BANAL-103; e BANAL-236. Em comum, todos esses agentes infecciosos compartilham pelo menos 95% de seu genoma geral com o SARS-CoV-2.

Especialmente, o BANAL-52 é 96,8% idêntico ao SARS-CoV-2, de acordo com os autores. A partir dessa evidência, o grupo de pesquisadores afirma que este agente infeccioso é o mais geneticamente semelhante ao vírus da covid-19 já descoberto.

Além de serem geneticamente semelhantes ao SARS-CoV-2, os vírus compartilham o mesmo domínio de ligação ao receptor (RBD). Parte chave do genoma, o RBD permite que o agente infeccioso se ligue às células hospedeiras. Com o SARS-CoV-2, o RBD se liga a um receptor conhecido como ACE2 nas células humanas e as invade. Segundo o estudo, estes novos vírus também podem se ligar ao ACE2 e usá-lo para entrar nas células humanas.

Para os autores, a descoberta aumenta as evidências de que o SARS-CoV-2 teve uma origem natural, e não teria escapado de um laboratório. Os resultados mostram "que sequências muito próximas às das primeiras cepas de SARS-CoV-2 existem na natureza", pontuam os pesquisadores no artigo.

Anteriormente, o vírus mais próximo conhecido em relação ao SARS-CoV-2 foi o RaTG13, também encontrado em morcegos-de-ferradura, no ano de 2013. Em comum, esse vírus compartilha apenas 96,1% de seu genoma com o SARS-CoV-2.

Para acessar o estudo sobre a descoberta da provável origem do coronavírus SARS-CoV-2 em morcegos, clique aqui.

Fonte: Canaltech

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