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Cientistas encontram fósseis de micróbio em rochas de 3,4 bilhões de anos

·3 minuto de leitura

Ainda não sabemos ao certo onde e quando a vida surgiu em nosso planeta, mas cientistas acreditam que ela tenha se originado a partir de fontes hidrotermais no fundo dos oceanos, cerca de 3,5 bilhões de anos atrás. Em um novo estudo internacional, liderado pela Universidade de Bolonha, na Itália, pesquisadores revelam a descoberta de fósseis de micróbios que se alimentavam de metano em sistemas hidrotérmicos no fundo do mar há 3,4 bilhões de anos. Estas são as evidências mais antigas desse tipo de vida e podem expandir nossa compreensão quanto aos ambientes favoráveis para o surgimento da vida na Terra primitiva — ou até mesmo em outros mundos.

Segundo o estudo, essas formas de vida teriam surgido em um ambiente no fundo do mar onde a água fria de cima se misturava com a água aquecida por fontes hidrotermais, formando uma espécie de sopa rica em nutrientes. Os pesquisadores analisaram espécimes de microfósseis em duas camadas finas encontradas dentro de uma rocha coletada em uma região conhecida como Cinturões de Rochas Verde, na África do Sul — lugar conhecido por conter as rochas sedimentares mais antigas e bem preservadas da Terra.

Imagem dos microfósseis filamentosos, obtida em microscópio óptico (Imagem: Reprodução/B. Cavalazzi)
Imagem dos microfósseis filamentosos, obtida em microscópio óptico (Imagem: Reprodução/B. Cavalazzi)

As novas evidências podem preencher algumas lacunas na história da origem da vida na Terra durante a era do Paleoarqueano, entre 3,2 a 3,6 bilhões de anos atrás. "Encontramos evidências excepcionalmente bem preservadas de micróbios fossilizados que parecem ter florescido ao longo das paredes de cavidades criadas por água quente de sistemas hidrotermais alguns metros abaixo do fundo do mar", explica a paleontóloga Barbara Cavalazzi, da Universidade de Bolonha e principal autora do artigo.

A paleontóloga explica que ambientes sub-superficiais, aquecidos por atividade vulcânica, teriam as condições ideais para os primeiros ecossistemas microbianos da Terra. A interação entre a água fria com os fluidos hidrotérmicos subterrâneos aquecidos, teriam criando uma rica “sopa química”. A análise dos microfósseis revelou uma cobertura rica em carbono ao redor de um núcleo distinto, o que pode significar um microorganismo com material celular envolto em uma membrana.

Rocha na qual foram coletadas as amostras da pesquisa, coletadas na região dos Cinturões de Rochas Verde, na África do Sul (Imagem: Reprodução/B. Cavalazzi)
Rocha na qual foram coletadas as amostras da pesquisa, coletadas na região dos Cinturões de Rochas Verde, na África do Sul (Imagem: Reprodução/B. Cavalazzi)

Nas análises seguintes, a equipe notou que os aglomerados de filamentos observados nas pontas das cavidades onde os microfósseis foram encontrados continham os principais elementos químicos necessários para a vida. Além disso, foi observada uma concentração de níquel semelhante à encontrada em micróbios que se alimentam de metano em vez de oxigênio.

Embora esta espécie possa ser fossilizada, existem pouquíssimos exemplos. “Nossas descobertas podem estender o registro de fósseis de Archaea pela primeira vez na era em que a vida surgiu pela primeira vez na Terra", aponta Cavalazzi. Entender as condições favoráveis para vida em nosso planeta também ajuda os cientistas a estabelecerem parâmetros para procurá-la lá fora, em outros mundos. "Como também encontramos ambientes semelhantes em Marte, o estudo também tem implicações para a astrobiologia e as chances de encontrar vida fora da Terra", acrescenta. O estudo foi publicado em 14 de julho desde ano, na Science Advances.

Fonte: Canaltech

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