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Cientistas encontram 28 quasares escondidos atrás de camadas de poeira

Daniele Cavalcante
·3 minuto de leitura

Embora os quasares sejam os maiores emissores de energia do universo, brilhando entre 100 e 1.000 vezes mais que uma galáxia inteira com cem bilhões de estrelas, nem sempre é fácil encontrar esses objetos. É que uma camada espessa de poeira pode cobrir um quasar por completo, tornando-o completamente invisível para os astrônomos.

Um quasar é formado por um buraco negro supermassivo no centro de uma galáxia, e nessas regiões costuma haver uma grande quantidade de gás e poeira - e também estrelas. Quando esses materiais caem em direção ao horizonte de eventos do buraco negro, o atrito da jornada rumo à extinção gera calor e luz, resultando no quasar.

Se muito gás e poeira entrarem no núcleo de uma só vez, o buraco negro ainda pode se alimentar com fartura e o quasar ainda vai brilhar, mas as camadas de poeira espessas podem bloquear essa luz, escondendo o fenômeno das lentes dos mais poderosos telescópios da Terra. Assim, os astrônomos podem olhar para um quasar, mas encontrarão apenas algo que parecerá um buraco negro se alimentando lentamente, ou mesmo apenas uma galáxia normal.

À esquerda, a ilustração de um quasar escondido por uma camada espessa de poeira; a brecha revela o centro galáctico em atividade. À direita, os círculos verdes indicam os quasares identificados, antes confundidos com galáxias ou buracos negros comuns (Imagem: Credit: NASA/CXC/Penn State/B.Luo et al)
À esquerda, a ilustração de um quasar escondido por uma camada espessa de poeira; a brecha revela o centro galáctico em atividade. À direita, os círculos verdes indicam os quasares identificados, antes confundidos com galáxias ou buracos negros comuns (Imagem: Credit: NASA/CXC/Penn State/B.Luo et al)

Para superar esse obstáculo, uma equipe de astrônomos realizou uma pesquisa sobre o universo profundo em vários comprimentos de onda, incluindo os raios-X, no Observatório Chandra. Com esse e outros instrumentos, eles conseguiram identificar 28 quasares que anteriormente estavam ocultos à vista de todos.

Ao comparar a emissão de raios-X esperada desses quasares com a emissão de raios-X real observada com o Chandra, os astrônomos concluíram que os buracos negros estavam se alimentando ativamente, porém envoltos em imensas camadas de poeira - até dez vezes mais poeira do que se pensava anteriormente.

Compreender esse processo será de grande importância para o estudo da evolução das galáxias. É que quando as galáxias ficam grandes, muito material chega ao núcleo. Quando o quasar se acende, no entanto, ele inunda a galáxia uma radiação extrema, interrompendo a formação de estrelas que normalmente ocorreria no centro galáctico, e expelindo material extra. Mas ainda há algumas perguntas para responder.

As massas das galáxias e seus buracos negros supermassivos estão correlacionadas, o que significa que quanto mais massiva a galáxia, mais massivo o buraco negro. Mas essa correlação ainda é pouco compreendidos e pesquisas como esta podem ajudar a solucionar o mistério.

Fonte: Canaltech

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