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Cientistas detectam novos sintomas da varíola dos macacos, incluindo dor anal

Uma colaboração internacional entre 16 países estudou casos da varíola dos macacos e aponta novos sintomas clínicos da doença, que devem ajudar a melhorar o diagnóstico e deixar sua testagem e identificação mais eficiente, evitando transmissões e surtos mais sérios. Os achados foram publicados na última quinta-feira (21) no periódico científico The New England Journal of Medicine (NEJM).

Quem liderou o estudo foram cientistas da Queen Mary University of London, em resposta à ameaça global que o vírus da varíola dos macacos vem representando. O estudo de caso é o mais abrangente já feito em relação à doença, com reportes de 528 infecções confirmadas em 43 lugares, entre as datas de 27 de abril e 24 de junho de 2022.

A varíola dos macacos pode causar úlceras incomuns, como uma única ocorrência nos genitais, além de dores anais (Imagem: CDC/R. Robinson)
A varíola dos macacos pode causar úlceras incomuns, como uma única ocorrência nos genitais, além de dores anais (Imagem: CDC/R. Robinson)

Quais são os novos sintomas da varíola dos macacos?

Embora a atividade sexual em si não seja o fator que espalha a varíola dos macacos — afinal, ela não é uma infecção sexualmente transmissível (IST) —, o vírus causador da patologia já foi detectado em sêmen e o ato sexual pode contribuir para a transmissão, já que é feita através do contato com machucados na pele infectada e gotículas de saliva e outros fluidos corporais.

A importância dessas constatações fica nas conclusões do estudo: segundo os cientistas, novos sintomas detectados incluem lesões genitais únicas e dores e úlceras na boca ou no ânus. Os sintomas são muito similares aos de ISTs e podem ser erroneamente diagnosticados. Em alguns casos, os pacientes foram ao hospital por conta de dificuldades para engolir e para administrar a dor da úlcera, sem desconfiar da varíola dos macacos.

Identificar e criar formas mais eficientes para detectar sintomas é importante para melhorar o manejo da doença, já que diagnósticos falhos podem atrasar a detecção e propiciar novas infecções. Testes melhores e abordagens educativas sobre a patologia podem devem ser aplicados e, principalmente, implementados no trabalho com grupos de risco.

A varíola dos macacos já foi detectada e descrita em 70 países e mais de 13.000 pessoas. Embora qualquer tipo de contato físico possa transmitir o vírus, o novo trabalho sugere um papel maior das atividades sexuais no espalhamento da doença, que, em alguns casos, não apresenta erupções cutâneas numerosas, mas sim uma única lesão na área genital. 15% dos casos relatou dor anal ou retal.

É importante, além de levar em conta os novos sintomas, ficar atento a características mais comuns da varíola dos macacos (Imagem: MarinaDemidiuk/Envato Elements)
É importante, além de levar em conta os novos sintomas, ficar atento a características mais comuns da varíola dos macacos (Imagem: MarinaDemidiuk/Envato Elements)

Sintomas mais comuns

Não faz mal lembrar os sintomas e características mais comuns da doença, à qual se adicionam os sintomas novos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o período de incubação da varíola dos macacos fica entre 6 a 13 dias, mas pode variar de 5 a 21 dias.

Os primeiros sintomas, que começam a aparecer após o quinto dia da infecção, incluem febre, dor de cabeça intensa, linfadenopatia (inchaço dos gânglios linfáticos), dor nas costas, mialgia (dores musculares), astenia intensa (falta de energia).

Entre 24 e 36 horas do início da febre, aparecem erupções cutâneas, ou seja, na pele. Quando a infecção não é controlada, o vírus pode causar graves desdobramentos para a saúde do indivíduo, que podem incluir infecções secundárias como a broncopneumonia, sepse, encefalite e infecção da córnea com consequente perda de visão.

A varíola dos macacos é transmitida através do contato físico com pessoas que tenham sintomas da infecção. Para ser mais preciso, as erupções e o pus dessas lesões são altamente infecciosos — até roupas de cama, toalhas e objetos contaminados podem transmitir o vírus.

Segundo a OMS, úlceras, lesões ou feridas na boca também podem ser infecciosas, o que significa que o vírus pode se espalhar pela saliva. As pessoas que interagem com alguém que é infeccioso, incluindo profissionais de saúde, membros da família e parceiros sexuais, correm maior risco de infecção.

Fonte: Canaltech

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