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Cientistas descobrem um mineral extraterrestre em meteorito australiano

Felipe Junqueira

Cientistas encontraram um novo mineral em um meteorito que caiu na Terra em 1951. Foram quase sete décadas de análises para descobrir a formação, que é apenas uma entre 500.000 a 600.000 minerais existentes na pequena pedra, de aproximadamente 210 gramas.

A composição extraterrestre foi batizada de edscottita, em homenagem ao cosmoquímico Edward Scott, da Universidade do Havaí. A descoberta, entretanto, foi feita na Califórnia. Trata-se de um tipo de carboneto de ferro com cinco átomos de ferro e dois de carbono nunca antes registrado na natureza. Na Terra, a formação pode ser obtida artificialmente a partir da fundição do ferro.

O meteorito que contém o mineral extraterrestre caiu na região de Wedderburn, ao lado da estrada da remota cidade australiana que por muitos anos abrigou uma corrida pelo ouro. O local, que deu nome à rocha, ainda atrai mineiros, mas em número muito menor hoje em dia.


O artigo que oficializou a edscottita foi publicado pelo mineralogista da Caltech Chi Ma em agosto deste ano e teve reconhecimento da Associação Internacional de Mineralogia. A pedra preta e vermelha original está atualmente com apenas cerca de um terço - 71 gramas - de seu tamanho original, de tanto que foi cortada por estudiosos para analisar sua composição. Ela pertence atualmente à entidade de museus australiana Museus Victoria.

“Descobrimos 500.000 a 600.000 minerais no laboratório, mas menos de 6.000 são produzidos pela própria natureza”, disse o curador de geociências da entidade, Start Mills, que não está ligado ao estudo da Caltech.

De parte de um planeta até Wedderburn

O meteorito de Wedderburn antes dos cortes (Foto: Museums Victoria)

O cientista planetário Geoffrey Bonning, da Australian National University, que também não esteve envolvido no estudo, acredita que o meteorito se formou no núcleo pressurizado e quente de um planeta antigo, do início do Sistema Solar. Acredita-se que esse planeta pode ter se envolvido em uma colisão com outro, ou com uma lua, ou até mesmo com um asteroide.

Isso teria despedaçado o planeta formador de edscottita, e seus fragmentos se espalharam pelo espaço, de acordo com a teoria de Bonning. Alguns deles possivelmente se misturaram ao Cinturão de Asteroides localizado entre Marte e Júpiter. Milhões de anos depois, a rocha de 210 gramas pode ter se chocado com outro objeto e tomou o rumo que a levou a Wedderburn.

Fonte: Canaltech

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