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Cientistas descobrem que abelhas gostam de brincar com bolas; veja o vídeo

Já estamos cansados de saber da importância das abelhas para o meio ambiente, principalmente por conta da polinização e outras atividades das pequenas fofuras listradas voadoras. Só em 2022, elas ganharam prêmios, foram vistas distinguindo entre par e ímpar e até mesmo conseguiram enfileirar números na ordem correta. Mas aposto que você não imaginava vê-las brincando com bolinhas!

Pois cientistas descobriram que as minúsculas trabalhadoras do mel gostam de se divertir quando não estão na labuta. Mais especificamente, a espécie estudada foi a mamangava-de-cauda-amarela-clara (Bombus terrestris), que passou por três experimentos envolvendo pequenas bolas. As abelhas foram até os objetos sem incentivo aparente, e as mais novas o fizeram mais do que as velhas, o que é comum em crianças humanas e filhotes de outros animais brincalhões.

Brincar é sua própria recompensa

Segundo os pesquisadores, os animais se aproximam dos brinquedos repetidas vezes, o que é "de explodir cabeças", em suas palavras. É uma prova de que, apesar de pequenas, com cérebros minúsculos e funções de trabalho bem específicas em suas comunidades, até mesmo as abelhas não são simples criaturas robóticas. É possível que elas experienciem estados emocionais positivos, mesmo que rudimentares, como outros animais maiores.

Foram observados 5 critérios para determinar se as abelhas estavam de fato brincando ou apenas seguindo algum benefício de sobrevivência natural. São eles:

  1. A atividade não contribui para um benefício adaptativo imediato e não é uma estratégia de sobrevivência;

  2. A brincadeira é voluntária, espontânea e recompensadora;

  3. Deve ser diferente de comportamentos utilizados na busca por parceiros ou por comida;

  4. É uma atividade repetida, mas não estereotipada;

  5. O comportamento é iniciado em situações livres de estresse.

Capturas de tela da brincadeira das abelhas com bolas (Imagem: Dona et al./Animal Behaviour)
Capturas de tela da brincadeira das abelhas com bolas (Imagem: Dona et al./Animal Behaviour)

O estudo partiu de uma análise anterior, onde as abelhas foram treinadas para rolar bolas em troca de recompensa. Já no novo estudo, 42 delas foram treinadas para encontrar bolas móveis em uma de duas câmaras coloridas. Ao serem apresentadas às câmaras novamente, as abelhas mostraram preferência pela cor de sala na qual brincaram, anteriormente, com as bolas.

Em outro experimento, 45 abelhas diferentes tiveram a opção de passar pelas bolas até chegar à área de alimentação, sem serem obstruídas pelos objetos. Na esquerda do caminho, ficaram bolas imóveis, e na direita, bolas móveis. Os pequenos animais escolherem mexer com os objetos mesmo quando não tinham razões óbvias para isso, mostrando que a brincadeira era, de fato, espontânea.

Ambiente feito para verificar se as abelhas de fato brincam sem incentivo (Imagem: Dona et al./Animal Behaviour)
Ambiente feito para verificar se as abelhas de fato brincam sem incentivo (Imagem: Dona et al./Animal Behaviour)

Durante a experiência, as bolas foram roladas repetidamente (uma abelha chegou a repetir a atividade 117 vezes), mesmo sem ganhar benefícios além da alegria de brincar com as bolas de madeira. Segundo os cientistas, convém investigar, em pesquisas futuras, se o comportamento brincalhão oferece algum benefício para o desenvolvimento inicial do cérebro.

Além disso, eles esperam que descobertas como essa melhorem nosso entendimento sobre a natureza, a senciência e o bem-estar dos insetos, e nos ajude a respeitar e proteger a terra cada vez mais. Quem, afinal, teria coragem de fazer mal a uma pequena e fofa criaturinha que gosta de brincar com bolinhas?

Fonte: Canaltech

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