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Cientistas descobrem atividade marítima em Titã com dados da missão Cassini

Danielle Cassita
·3 minutos de leitura

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Idaho, nos Estados Unidos, mergulhou nos dados coletados pela missão Cassini, da NASA. A missão estudou Saturno e suas luas entre 2004 e 2017 e, com as análises dos materiais, eles descobriram evidências de atividade marítima em Kraken Mare, o maior oceano de Titã. Os resultados do estudo foram publicados na revista Planetary Science Journal em 14 de agosto.

Para o estudo, a equipe utilizou observações infravermelhas em alta resolução feitas pela Cassini enquanto buscava brilhos solares nos mares de Titã. Então, ao combinar dados de imagens e espectros com mapas de radar da superfície, a equipe encontrou a ocorrência do brilho na superfície de Kraken Mare, principalmente por perto das estruturas geológicas Bayta Fretum e Seldon Fretum. No caso de Bayta Fretum, os padrões de brilho indicam variações na altura e nas forças causadoras das ondas. Já em Seldon Fretum, que tem dimensões similares ao Estreito de Gibraltar, o brilho solar indica que a agitação do mar no local se restringe ao estreito.

A equipe também identificou ocorrências de brilho solar no arquipélago próximo, junto da borda de uma enseada e na praia da Hufaidh Insulae e Bermoothes Insula. Os pesquisadores ainda não definiram a altura das ondas, mas experimentos sugerem que Titã pode ter ondas de até 20 cm de altura. Michael Heslar, aluno de PhD da Universidade de Idaho que participou do estudo, explica que essa altura ocorre devido à distância que Saturno tem do Sol, de modo que quantidade de luz solar que chega aos mares de Titã não é suficiente para os ventos criarem ondas maiores.

À esquerda, o mapa de Kraken Mare. À direita, as setas indicam o brilho solar (Imagem: M. F. Heslar et al./Planetary Science Journal 2020)
À esquerda, o mapa de Kraken Mare. À direita, as setas indicam o brilho solar (Imagem: M. F. Heslar et al./Planetary Science Journal 2020)

Ellen Stofan, geóloga planetária, ficou surpresa com os resultados: "estava animada para ver o que essa análise traria, já que os estreitos de Kraken estão onde nós esperávamos ver essa espécie de atividade da onda causada pelo vento". Elizabeth Turtle, principal investigadora da missão Dragonfly, da NASA, acredita que a equipe fez um bom trabalho de pesquisa nas observações dos reflexos e interpretação no contexto da geologia local.

Estudar os mares de Titã são importantes por representarem oportunidades únicas para os cientistas colocarem em prática a oceanografia terrestre, além de comparar os resultados com as formações presentes na Terra. Mesmo assim, algumas questões seguem em aberto: por exemplo, ainda não sabemos se as correntes marítimas por lá se comportariam nos oceanos de Titã como ocorre na Terra, já que são formados por uma mistura de metano e etano. As respostas para essa e outras perguntas deverão vir em futuras missões.

Fonte: Canaltech

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