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Cientistas criam enxame de drones autônomos que não dependem de GPS

Pesquisadores da Universidade de Zhejiang, na China, desenvolveram uma tecnologia capaz de permitir que enxames de drones trafeguem ambientes completamente desconhecidos e não controlados, como florestas, de forma completamente autônoma.

De acordo com os cientistas, a nova tecnologia foi inspirada em revoadas de pássaros que costumam voar em matas fechadas e será usada para trabalhos de conservação e atividades de resgate em casos de desastres.

“Nosso trabalho foi inspirado por pássaros que voam em conjunto, principalmente em florestas muito densas”, disse o estudante de doutorado na Escola de Ciências e Engenharia de Controle da Universidade de Zhejiang, Xin Zhou.

Inicialmente, a equipe testou os robôs do tamanho da palma da mão, construídos com câmeras de profundidade, sensores de altitude e um computador de bordo, em uma floresta de bambus. Os pesquisadores também incorporaram um algoritmo inteligente que conta com funções de prevenção de colisões, eficiência de voo e coordenação dentro do enxame.

Considerando que os drones com o algoritmo incorporado não dependem do uso de um sistema de posicionamento global (GPS), os enxames podem ser usados ​​durante desastres naturais.

Os robôs podem ser enviados para áreas atingidas por terremotos para pesquisar danos e identificar para onde enviar ajuda, ou para locais onde não é seguro enviar ajuda humana, por exemplo. A aplicação do enxame de drones autônomos poderia gerar, ainda, um mapa mais abrangente das medidas de resgate necessárias do que um único drone operado por humanos. Outro uso possível seria a entrega de objetos pesados ​​de forma coletiva.

Para Zhou, o principal desafio da pesquisa foi encontrar um equilíbrio entre a necessidade de robôs leves e compactos, mas com alto poder computacional e a capacidade de cálculo de trajetórias seguras a um tempo de voo razoável, visto que os drones ainda são limitados por esse fator. Além da floresta, a equipe também testou o enxame em outra ocasião em que era ordenado a seguir os comandos de uma pessoa e evitar a colisão com outros drones em zonas de alto tráfego.

Para os cientistas, o próximo desafio está na operação do enxame em uma cidade grande, que conta com diversos obstáculos. Os resultados da pesquisa foram publicados na Revista Science Robotics.

Uso de robôs para fins militares

Apesar de ser uma tecnologia que pode ajudar a sociedade, o uso de enxames de drones já foi aplicado no campo militar anteriormente. Em 2021, Israel usou um enxame de drones autônomos com inteligência artificial para localizar, identificar e atacar militantes do grupo palestino Hamas — sendo o primeiro país a usar a tecnologia para fins militares.

O uso de drones e robôs em combates tem levantado diversas discussões ao redor do mundo sobre a possível banalização das guerras e o aumento de mortes em combates. A organização não governamental Human Rights Watch, por exemplo, realiza uma campanha contra armas totalmente autônomas, conhecidas como "killer robots" (ou robôs assassinos, em português).

Segundo o site da campanha, "há sérias dúvidas de que armas totalmente autônomas seriam capazes de atender aos padrões do direito internacional humanitário, incluindo as regras de distinção, proporcionalidade e necessidade militar, enquanto ameaçariam o direito fundamental à vida e o princípio da dignidade."

Fonte: Canaltech

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