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Cientistas cidadãos encontram dupla de exoplanetas a 350 anos-luz da Terra

·2 minuto de leitura

O telescópio espacial TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), da NASA, foi lançado em 2018 e, desde então, ele já identificou mais de 2 mil candidatos a exoplanetas. Depois que os primeiros dados foram liberados publicamente naquele mesmo ano, o programa Planet Hunters TESS foi iniciado, reunindo milhares de cientistas cidadãos voluntários para buscar exoplanetas em sistemas distantes. Agora, por meio do programa, dois novos exoplanetas foram encontrados.

Os dois mundos orbitam a estrela HD 152843, que fica a cerca de 350 anos-luz da Terra. Trata-se de uma estrela de massa parecida com a do Sol, mas que é quase 1,5 vez maior e mais brilhante que a nossa estrela. O sistema conta com um planeta 3,4 vezes maior que a Terra, com tamanho semelhante ao de Netuno, que orbita sua estrela a cada 12 dias; já o outro planeta, mais externo, é um subsaturno quase seis vezes maior que a Terra, com período orbital entre 19 e 35 dias.

Representação dos exoplanetas gasosos detectados (Imagem: Reprodução/NASA/Scott Wiessinger)
Representação dos exoplanetas gasosos detectados (Imagem: Reprodução/NASA/Scott Wiessinger)

A descoberta foi feita por voluntários do projeto Planet Hunters TESS, que observam gráficos para analisar o brilho de diferentes estrelas ao longo do tempo. A ideia é encontrar aquelas que demonstram uma pequena redução no brilho, que depois volta ao nível original, o que pode indicar que um planeta passou por lá durante o trânsito e bloqueou um pouco da luminosidade da estrela. Essas informações, chamadas de “curvas de luz”, são compartilhadas entre um grupo dos voluntários. Depois, um algoritmo coleta as informações enviadas por eles para selecionar as curvas de luz que foram sinalizadas por vários membros.

Em seguida, a equipe de Nora Eisner, doutoranda e principal autora do estudo, verifica as curvas de luz com mais avaliações para determinar quais delas podem exigir acompanhamento científico. Mesmo com tantas técnicas sofisticadas de computação que existem atualmente, ter vários voluntários observando dados de telescópios é de grande ajuda para pesquisadores. É que, como eles não podem treinar computadores para identificar perfeitamente as assinaturas de candidatos a planetas, o olhar humano é um aliado valioso: “é por isso que muitos candidatos a exoplanetas são perdidos, e é por isso a ciência cidadã é ótima”, afirmou Eisner.

Os cientistas não conseguiram obter um sinal claro o suficiente para definir a massa dos planetas, mas conseguiram algumas estimativas. Embora as medidas obtidas validem os sinais que indicam a presença dos planetas, mais dados serão necessários para confirmar a massa deles. Assim, os cientistas vão continuar analisando esse sistema com o instrumento HARPS-N (the High Accuracy Radial velocity Planet Searcher for the Northern hemisphere) para obter mais informações. "Estudar os dois ao mesmo tempo é muito interessante para restringir teorias de como os planetas se formam e evoluem ao longo do tempo", explica a autora.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Royal Astronomical Society.

Fonte: Canaltech

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