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Cientistas apostam na seda para fazer lentes oculares e próteses de joelho

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Se você costuma associar a seda com um tipo específico de roupa, saiba que esta fibra natural tem outras aplicações para além do vestuário, já que é conhecida por ser altamente resistente. Inclusive, médicos e cientistas europeus trabalham no desenvolvimento de uma nova geração de implantes que utilizam este material com alta resistência e flexibilidade.

Ainda em fase de pesquisa e testes, as novas próteses poderão ser usadas nos joelhos ou ainda nos olhos humanos, caso os estudos sejam concluídos com sucesso. Ainda não há um prazo para quando a seda chegará ao mercado nestes dispositivos.

Seda é usada na constituição de implantes oculares e de próteses de joelho (Imagem: Liufuyu/Envato Elements)
Seda é usada na constituição de implantes oculares e de próteses de joelho (Imagem: Liufuyu/Envato Elements)

Vale explicar que a seda é fabricada por lagartas de diferentes tipos de mariposa, sendo a mais comum a do bicho-da-seda da amoreira (Bombyx mori). No ciclo de vida do inseto, a seda é produzida para a construção do casulo, onde a larva viverá (protegida) até eclodir.

Potencial da seda na medicina

"A seda tem um imenso potencial para ser desenvolvida em materiais que tenham as mesmas propriedades funcionais do tecido [humano] saudável, sem nenhuma das desvantagens dos implantes tradicionais", explica Nick Skaer, CEO da empresa britânica Orthox e pesquisador, para o blog da Horizon.

"Estou confiante de que muito em breve — nos próximos anos — veremos algumas necessidades clínicas muito grandes sendo atendidas por essa fibra versátil", aposta Skaer sobre a importância da fibra da seda no mercado de próteses médicas.

Entre as razões que justificam o uso dos fios do bicho-da-seda, estão:

  • Alta resistência;

  • Boa elasticidade;

  • Permeável ao oxigênio e à água;

  • Biocompatível (não deve ser rejeitada pelo corpo, após o transplante);

  • Estrutura versátil (pode ser aplicada na forma de sólido, malha ou gel);

  • Suporta a regeneração de novos tecidos.

Prótese de seda no joelho

Buscando desenvolver próteses para o joelho, o projeto FibroFix Cartilage estuda como transformar a seda em uma cartilagem substituta (e temporária) para a região. Skaer é um dos cientistas envolvidos na criação do novo dispositivo e explica que os ensaios clínicos devem ser iniciados na Hungria e no Reino Unido até o final deste ano

Cientistas querem desenvolver prótese de joelho a partir de proteína da seda (Imagem: Microgen/Envato)
Cientistas querem desenvolver prótese de joelho a partir de proteína da seda (Imagem: Microgen/Envato)

Com financiamento da Comissão Europeia, o protótipo atual é constituído inteiramente pela proteína de seda conhecida como fibroína. Inclusive, tem propriedades mecânicas quase idênticas às da cartilagem real. "É forte, escorregadio como cartilagem e se deforma quando você pressiona", afirma Skaer.

No estudo clínico, a prótese deve ser inserida no joelho em um estado seco e comprimido. No entanto, ela rapidamente deve ser preenchida pelo fluido do tecido circundante. A ideia é pensar em uma almofada temporária entre os ossos, já que o material permitirá que o tecido se regenere e, no final, deve ser absorvido.

Melhora da visão

Ainda investigando as propriedades da seda, membros do Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha estudam aplicações da fibra na composição de lentes oculares para pacientes que têm presbiopia. Estes indivíduos são incapazes de focar a visão em objetos próximos, com nitidez.

Também financiado pela Comissão Europeia, o projeto recebe o nome de SILK-EYE. Segundo os pesquisadores, foi possível transformar a fibroína da seda em uma membrana transparente e, no futuro, esta poderá ser usada para restaurar a visão.

"Estamos avançando bem com este projeto", explica Susana Marcos, pesquisadora e professora do Instituto de Óptica da Espanha (CSIC). “Desenvolvemos as membranas de seda e ajustamos o material para que tenha as propriedades que desejamos. É transparente, elástico, fácil de trabalhar, tem a espessura certa e os níveis certos de permeabilidade", completa.

Fonte: Canaltech

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