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Cientista criam ‘marca-passo cerebral’ para combater a depressão

·4 min de leitura

Há cinco anos, voltando para casa do trabalho, uma mulher jovem da Califórnia, nos EUA, estava tão sobrecarregada pela depressão que tudo que conseguia pensar era em acabar com sua vida.

— Não conseguia parar de chorar. O pensamento que me consumia durante todo o caminho de casa era apenas dirigir meu carro para o pântano para me afogar — relembra Sarah, agora com 38 anos.

Ela conseguiu chegar em casa, mas pouco depois foi morar com os pais porque os médicos não consideraram seguro ela viver sozinha. Sem conseguir trabalhar, Sarah se demitiu do emprego na área de tecnologia em saúde.

E tentou quase todos os tipos de tratamentos: cerca de 20 medicamentos diferentes, meses em um programa diurno no hospital, terapia eletroconvulsiva, estimulação magnética transcraniana... Mas, assim como em quase um terço de mais de 250 milhões de pessoas com depressão no mundo, os sintomas persistiram.

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Então, Sarah se tornou a primeira participante de um estudo para uma terapia experimental. No momento, sua depressão está tão controlada que ela cursa aulas de análise de dados, voltou a morar sozinha e ajuda a cuidar da mãe, que sofreu uma queda.

— Em poucas semanas, os pensamentos suicidas simplesmente desapareceram. Depois, foi apenas um processo gradual em que era como se as minhas lentes para o mundo tivessem mudado — disse Sarah, que é identificada apenas pelo primeiro nome para proteger sua privacidade.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, implantaram, no cérebro de Sarah, de forma cirúrgica, um aparelho do tamanho de uma caixa de fósforos e operado por bateria — um “marca-passo para o cérebro”, alguns chamam —, calibrado para detectar a atividade neural que ocorre quando ela está ficando deprimida. Então, ele emite pulsos de estimulação elétrica para evitar os sintomas.

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Doze dias depois que o aparelho de Sarah estava completamente operacional, em agosto de 2020, seu nível em uma escala que mede o padrão da depressão caiu de 33 para 14, e, alguns meses depois, foi para menos de 10, essencialmente sinalizando uma remissão da doença, relataram os pesquisadores.

Sarah é o primeiro caso documentado da personalização de uma técnica chamada estimulação cerebral profunda para tratar com sucesso a depressão. Diversas pesquisas ainda são necessárias antes de ficar claro o quão efetiva pode ser a abordagem e para quantos pacientes. Mas muitas equipes de cientistas estão trabalhando agora em maneiras para combinar a estimulação elétrica ao que acontece dentro do cérebro de cada paciente.

Alívio nos sintomas para ter vida normal

Para identificar o padrão de atividade cerebral específico ligado à depressão da Sarah, os pesquisadores fizeram uma exploração intensiva de dez dias em seu cérebro, colocando vários eletrodos e perguntando sobre seus sentimentos enquanto aplicavam estimulações em diferentes locais e em doses variadas.

Sarah se lembra de quando ela se sentiu como o “Pillsbury Doughboy” (mascote publicitário famoso nos EUA), emitindo uma “gargalhada gigante” que ela disse ser a primeira vez que riu e sorriu espontaneamente em cinco anos. Outra sensação a lembrou “estar em frente a uma lareira quente lendo um livro reconfortante”, enquanto um sentimento negativo parecia o arranhar de “unhas no quadro-negro”.

A fase exploratória guiou os pesquisadores a implantar o aparelho estimulador no hemisfério direito do cérebro da Sarah e ligado a eletrodos em duas regiões.

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O objetivo, disse Dougherty, é que a estimulação interrompa ou mude a atividade neural para produzir um padrão mais saudável que amenize os sintomas da depressão.

Sarah continuou tomando seus medicamentos psiquiátricos, e a estimulação não eliminou a atividade que causa a depressão em seu cérebro. Mas ela consegue controlar sua doença de forma muito melhor, em vez de ficar incapaz de tomar até mesmo decisões como o que comer.

Cerca de 30% não respondem a tratamento padrão

Cerca de 30% das pessoas com depressão não respondem a tratamentos padrão ou não conseguem tolerar os efeitos colaterais. A estimulação cerebral profunda não seria apropriada para todos porque custa muito caro e a cirurgia para implantar o aparelho oferece diversos riscos, como infecção. Mas, se funcionar, pode ajudar muitas pessoas, garantem os especialistas.

— Nosso trabalho agora é de fato entender o que é que identifica quem precisa desse tipo de intervenção — disse Helen Mayberg, diretora do Centro de Terapêuticas de Circuitos Avançados da Escola de Medicina Icahn, em Nova York, instituição pioneira na estimulação cerebral profunda para combater a depressão, há quase 20 anos.

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Mayberg utiliza um método diferente de individualização. Com o exame de imagem, ela localiza onde quatro partes de substância branca se cruzam perto de uma região chave relacionada à depressão no cérebro de cada pessoa. Depois de implantar eletrodos e um aparelho para provocar os estímulos, “nós praticamente o configuramos e o esquecemos”, fornecendo estimulação contínua, ao mesmo tempo ajudando os pacientes com terapia convencional.

Os pesquisadores dizem que ainda levará anos para aprenderem se as abordagens individualizadas são eficazes o suficiente. Métodos diferentes podem funcionar para a depressão de pessoas diferentes, e a estimulação individualizada pode eventualmente ajudar outros transtornos psiquiátricos, concluem os cientista.

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