Mercado fechado

Cientista começa a virar ciborgue para não morrer de doença terminal

Claudio Yuge

O Dr. Peter Bowan Scott-Morgan, cientista britânico conhecido por importantes trabalhos na área da robótica, foi diagnosticado em 2017 com uma doença do neurônio motor (MND, na sigla inglesa), que afeta os neurônios motores e compromete a fala, o caminhar, a respiração, a deglutição e o movimento geral do corpo — como a esclerose lateral amiotrófica. Com esse diagnóstico, os médicos lhe deram apenas mais dois anos de vida.

Bem, como Peter é considerado um “cientista brilhante”, ele fez o que a gente costuma ver em histórias em quadrinhos: recusou-se a aceitar esse destino e, em parceria com a Intel e a DXC Technology, decidiu inventar um projeto de alta tecnologia tratar de casos de deficiência extrema. E assim deve nascer, segundo ele mesmo, “o organismo cibernético humano mais avançado já criado em 13,8 bilhões de anos”. Ele mesmo será a “cobaia”, tornando-se uma mescla de homem com máquina.

Peter, na época em que a doença foi diagnosticada, em 2017 (Imagem: Reprodução/Arquivo pessoal)

O processo incluiu uma série de operações para inserir um tubo de alimentação diretamente no estômago, um cateter na bexiga e uma bolsa de colostomia no cólon, para que ele possa lidar com questões de alimentação e de higiene. Peter também foi submetido a uma laringectomia, para evitar o risco adicional de a saliva entrar nos pulmões — ele disse que, assim, estaria trocando sua voz natural por “potencialmente, décadas de vida".

Peter controla computadores com os olhos

O cientista agora possui fala sintética e desenvolveu uma “avatar realista do rosto”, projetado para responder usando linguagem corporal artificialmente inteligente — embora ainda não tenha sido mostrado como isso exatamente funciona.

 (Imagem: Reprodução/Arquivo pessoal)

Peter realizou uma cirurgia ocular a laser, que permite visão perfeita a 70 centímetros da tela do computador. Isso permite que ele possa controlar múltiplos computadores com o movimento dos olhos. Além disso, sua cadeira de rodas é ágil e usa um mecanismo que consegue deixá-lo de pé, sentado ou deitado.

“Não estou morrendo, estou me transformando”

Essas foram as palavras de Peter, após realizar todas essas operações e implantar o sistema de comunicação. Ele até brincou, dizendo que ainda tem “mais atualizações em desenvolvimento do que a Microsoft”. O cientista acredita que esse projeto pode ser o primeiro de vários outros que poderão estender a vida das pessoas. "Com o tempo, mais e mais pessoas diagnosticadas com MND, extrema incapacidade ou que estejam velhas e queiram simplesmente se libertar da ‘camisa de força física’ escolherão ficar ao meu lado. E ficaremos orgulhosos ... porque nos recusamos simplesmente a 'permanecer vivos'”, escreveu, no blog onde registra todas as fases dessa transformação.

Peter e o marido, Francis, nos anos 80 (Imagem: Reprodução/Arquivo pessoal)

Ao lado do marido, Francis, Peter vem pressionando parlamentares para conseguir verba para sua campanha, chamada “Direito de prosperar”, para pessoas com MND. Segundo ele, menos de 1% dos diagnosticados com a doença recebe o que chama de “combinação salva-vidas”: uma máquina ligada à garganta, que ajuda a tossir e limpar os pulmões. "Precisamos fazer um barulho maior do que o clamor para os negócios ou o Brexit. Por muito tempo, a voz do MND tem sido amplamente desconhecida”, completou.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: