Mercado fechado
  • BOVESPA

    125.052,78
    -1.093,88 (-0,87%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    50.268,45
    +27,94 (+0,06%)
     
  • PETROLEO CRU

    72,17
    +0,26 (+0,36%)
     
  • OURO

    1.802,10
    -3,30 (-0,18%)
     
  • BTC-USD

    33.974,56
    +388,38 (+1,16%)
     
  • CMC Crypto 200

    786,33
    -7,40 (-0,93%)
     
  • S&P500

    4.411,79
    +44,31 (+1,01%)
     
  • DOW JONES

    35.061,55
    +238,20 (+0,68%)
     
  • FTSE

    7.027,58
    +59,28 (+0,85%)
     
  • HANG SENG

    27.321,98
    -401,86 (-1,45%)
     
  • NIKKEI

    27.548,00
    +159,80 (+0,58%)
     
  • NASDAQ

    15.091,25
    +162,75 (+1,09%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,1216
    +0,0014 (+0,02%)
     

Cidades de MG temem que crise energética esvazie mais Furnas

·5 minuto de leitura
*ARQUIVO* AREADO, MG, BRASIL-20-10 2016 : Turistas pescam em lago no  lago de Furnas, conhecido como
*ARQUIVO* AREADO, MG, BRASIL-20-10 2016 : Turistas pescam em lago no lago de Furnas, conhecido como

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - As medidas adotadas pelo governo federal contra o risco de racionamento de energia no Brasil podem ampliar a crise econômica que já afeta o maior balneário turístico de Minas Gerais, formado no entorno do lago da usina hidrelétrica de Furnas, uma das mais importantes para o abastecimento de energia do país.

O governo avalia editar uma medida provisória que vai priorizar o uso da água nas barragens das usinas para o setor elétrico. No caso de Furnas, já existe um embate entre soltar mais água --para abastecer outras hidrelétricas rio abaixo-- ou segurá-la, para preserva as atividades econômicas atreladas ao lago, como o turismo.

Como a crise hídrica está comprometendo a oferta de energia, a MP já é vista como ameaça por prefeitos dos municípios cuja economia gravita no entorno do reservatório.

O lago se espalha por 34 municípios. Segundo dados da Alago (Associação dos Municípios do Lago de Furnas), o turismo na região já deixa de faturar R$ 53,8 milhões por ano por causa da redução no nível do reservatório. A piscicultura também está ameaçada.

O lago surgiu com a construção da hidrelétrica, inaugurada em 1963, e desde então passou a figurar como um dos principais motores da economia da região. Há forte atividade hoteleira em sua orla, além de serviços agregados à gastronomia e ao turismo, especialmente passeios náuticos que atraem turistas de outras partes de Minas Gerais e de estados vizinhos, como São Paulo.

O turismo sofreu um forte baque durante a pandemia do novo coronavírus. Agora, quando a vacinação avança e a imunização pode trazer de volta os turistas, é a crise energética que ameaça a atividade, avaliam as comunidades locais.

O prefeito de Cristais, Djalma Carvalho (DEM) --que é também presidente da Alago--, reclama de insensibilidade do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), responsável pela gestão energética. "[O ONS] Quer produzir energia. Não quer saber se a água tem outros usos. Quer garantir a geração ao máximo."

Carvalho diz também que estão sendo atendidos interesses do estado de São Paulo, que prefere ver a água saindo do lago de Furnas para manter o nível de água na hidrovia Tietê-Paraná.

"Quanto mais água sai de Furnas, melhor a navegabilidade no Tietê", diz.

A hidrovia é responsável pelo escoamento de parte da produção agrícola de estados do Centro-Oeste. "Mas não podemos ficar à míngua aqui", afirma o prefeito. "Hoje em algumas cidades não há mais lago, há pântano. É um total desrespeito."

Segundo Carvalho, o nível do lago já afugenta até investidores. "Não há empresário que se interesse em investir na região com lago vazio. A região é muito bonita, mas chega-se lá com a família e encontra-se um brejo."

O diretor da União dos Empreendedores dos Lagos de Furnas e Peixoto, Thadeu Alencar, também defende que Furnas não tem condições de liberar mais água.

"O que pode acontecer agora é o caos total", afirma. "Turistas de regiões mais distantes não aparecem mais, por receio de a água estar baixa."

Segundo Thadeu, os passeios de barco também foram reduzidos em razão do nível baixo do reservatório. Cada embarcação partia com dez turistas a R$ 90 por pessoa, com crianças pagando meia passagem.

O prefeito de Capitólio, Cristiano Geraldo da Silva (PP), afirma que a cota considerada ideal para garantir a atividade econômica voltada para o turismo no entorno do lago é de 762 metros acima do nível do mar. No entanto, ela foi reduzida, e um novo limite, menor, seria insustentável.

O senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), hoje presidente do Senado, apadrinhou os prefeitos da região e busca garantir a cota mínima para preservar o turismo e outros atividades econômicas.

Em 28 de maio, Pacheco foi às redes sociais criticar o ONS. Conforme o senador, o órgão responsável pela gestão do sistema de energia do país "se apoderou das águas brasileiras para um propósito único de geração de energia".

O senador tem argumentado que todos os municípios no entorno cresceram depois da inauguração da hidrelétrica e que hoje milhares de trabalhadores tiram o sustento das atividades desenvolvidas a partir do lago.

Anderson Aparecido Manoel, 41, morador de Cássia, é um deles --ou era. Manoel se apresenta como ex-piscicultor. Afirma que chegou a participar de cooperativa de criadores de peixes que reunia mais de 300 produtores. Abandonou a atividade para ganhar vida como criador de cachorros da raça buldogue francês.

Os peixes eram criados em tanques instalados no lago, e a produção, enviada principalmente para São Paulo.

"Colocava mil alevinos e em seis meses tirava mil tilápias", diz Anderson. "Em Cássia tinha um abatedouro de peixes, que não existe mais", afirma.

O ex-piscicultor explica que um dos motivos que o obrigaram a deixar a atividade foi a qualidade da água. "O esgoto de muitas cidades é jogado no reservatório. Quando o mesmo volume de esgoto é descarregado, mas a quantidade da água do lago diminui, o resultado é mais poluição, o que afeta a produção."

Anderson afirma que a redução no nível de turistas também compromete a segurança.

"No início de junho, entraram em uma casa e roubaram motor de lancha, motor de canoa e bomba-d'água." A propriedade estava vazia. "Sem água, ninguém vem para cá, e os ladrões fazem a festa."

Furnas, em nota, afirmou que as usinas hidrelétricas brasileiras integram o Sistema Interligado Nacional e que sua operação é planejada e programada pelo ONS, "também responsável por operar o conjunto de reservatórios brasileiros de forma integrada, com o objetivo de garantir a segurança energética".

Conforme a empresa, o reservatório da usina atualmente está na elevação 758,14 metros, o que representa um volume útil de 33,45%.

"A usina está operando conforme despacho do ONS, com uma geração em torno de 800 MW, o que corresponde a 65,8% da capacidade instalada", afirmou.

Procurados, ONS, ANA (Agência Nacional de Águas) e governo de Minas Gerais não se manifestaram sobre o cenário em Furnas.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos