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Cidadania afasta deputado estadual Fernando Cury, acusado de assédio sexual na Alesp

João Conrado Kneipp
·4 minuto de leitura
Vídeo mostra momento em que deputado Fernando Cury apalpa a lateral do seio da deputada Isa Penna. (Foto: Reprodução/Alesp)
Vídeo mostra momento em que deputado Fernando Cury apalpa a lateral do seio da deputada Isa Penna. (Foto: Reprodução/Alesp)

O Cidadania afastou, nesta sexta-feira (18), o deputado estadual Fernando Cury após o episódio de acusação de assédio sexual envolvendo a deputada estadual Isa Penna (PSOL).

Um vídeo gravado pela câmera da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) mostra o parlamentar se aproximando por trás da deputada e passando a mão na lateral de seu seio.

A decisão partiu da presidência nacional do Cidadania após uma reunião com a Comissão Executiva Nacional. Em nota, o partido afirma que irá afastar Cury de todas as funções até a conclusão do processo no Conselho de Ética da legenda.

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“Ao decidir pelo afastamento, que vai durar até a conclusão do processo no Conselho de Ética do Cidadania, o presidente do partido, Roberto Freire, levou em consideração a gravidade do caso e a celeridade do colegiado”, informa a nota.

Em uma coletiva de imprensa virtual realizada na tarde desta sexta, Isa Penna lançou uma campanha para pedir a cassação de Cury. Na opinião da deputada, sem cobranças da sociedade, o caso poderá ser esquecido.

“Único jeito de acontecer alguma coisa é com a ajuda de vocês, é a única chance que eu tenho. Porque no minuto que a gente desfocar disso, vai ser a boa e velha prática do parlamento e vai para debaixo do tapete. Eu peço encarecidamente.”

O QUE DIZ O DEPUTADO FERNANDO CURY?

Em nota enviada ao Yahoo! Notícias, a assessoria do parlamentar afirma que ele não foi informado oficialmente pelo partido sobre decisão de afastamento das funções.

“Não houve qualquer notificação de procedimento interno do Conselho de Ética, e por isso, tão logo seja formalmente comunicado, irei apresentar a versão dos fatos, exercendo assim meu direito de defesa”, diz Cury, segundo a nota.

Com relação à acusação da deputada sobre assédio, Cury diz que “em nenhum momento houve o sentido de desrespeitar a colega deputada Isa Penna durante esse gesto” e que teria se aproximado dela para falar com Macris “sem incitação ou conotação de tal cunho relacionado à violência contra a mulher”.

“Sou casado, pai de dois filhos e reconheço a importância de um bom exemplo dentro de casa. Recrimino todo tipo de abuso e violência contra a mulher, e reforço meu respeito e luta para nessa questão de grande relevância e destaque para nossa sociedade”, completa ela.

As imagens mostram que Fernando Cury conversa com outro deputado e faz menção de se dirigir até onde está Isa Penna, apoiada na bancada conversando com o presidente da Alesp, Cauê Macris (PSDB). Cury retorna a conversar com o colega e vai até Isa. Nesse momento, é possível ver que o parlamentar que fala com Cury tenta segurá-lo pelo braço.

Ele então caminha em direção à deputada, se aproxima por trás e coloca a mão direita na lateral de seu seio, enquanto dirige a palavra a Macris. O deputado ainda desliza a mesma mão pela cintura da parlamentar.

Imediatamente, Isa afasta a mão dele e o confronta. Enquanto discutem, Cury tenta novamente colocar a mão no ombro esquerdo da parlamentar, mas é de novo repelido por ela. Os dois ainda conversam por mais alguns momentos, e depois Cury se afasta.

Isa afirmou, nas redes sociais, que registrou na Polícia Civil um boletim de ocorrência por assédio sexual e protocolou uma denúncia formal por quebra de decoro contra Cury no Conselho de Ética da Alesp.

Na denúncia enviada ao Conselho de Ética e Decoro, Isa Penna acusa Cury de importunação sexual e quebra de decoro e afirma que "não deu consenso para a aproximação" e que o ato se trata de "nítido intuito libidinoso".

"Parece que o agressor desconhece e, por isso, faz-se necessário afirmar que o corpo de toda e qualquer pessoa é de seu estritlo controle e que, portanto, qualquer contato deve ser consentido expressamente. Ao fazer contato com as regiões de maior intimidade resta inquestionável o assédio sexual", diz o documento, segundo o Globo.

CONSELHO QUE ANALISARÁ O CASO TEM SÓ UMA MULHER

Responsável por analisar o caso internamente na Alesp, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa de São Paulo é composto somente por uma mulher: a deputada Maria Lúcia Amary (PSDB), que preside o órgão.

A deputada estima para até março uma decisão de medidas em torno do assédio denunciado. Ela afirmou que trabalhará para que haja isenção no processo e a que a discussão não seja polarizada para "o lado ideológico e sim pela situação em si, pelo caso em si".

Também integram o colegiado os deputados Adalberto Freitas (PSL), Emidio de Souza (PT), Barros Munhoz (PSB), Wellington Moura (Republicanos), Delegado Olim (PP), Carlos Giannazi (PSOL) e Alex Madureira (PSD).