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Tiros, retroescavadeira e bananas: o novo normal no Brasil

Matheus Pichonelli
·3 minuto de leitura
Foto: O Sobralense/Reprodução
Foto: O Sobralense/Reprodução

Quem se perguntava, na última quarta-feira (19), quais eram os limites da normalidade para um país que instituiu a ofensa como política de governo foi dormir com o barulho de uma retroescavadeira baleada zunindo nos ouvidos.

Nem Picasso, em sua Guernica, conseguiu capturar tantos elementos da ferocidade humana quanto o cinegrafista amador de Sobral (CE), onde um senador da República, Cid Gomes, guiando um trator, avançou contra policiais militares em motim com suas famílias e foi brecado na entrada com dois tiros que por pouco não barraram uma tentativa de homicídio com um homicídio.

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Horas antes, um grupo de homens encapuzados em carros da PM havia ordenado aos comerciantes da cidade que baixassem as portas dos estabelecimentos. Qualquer semelhança com as ordens de traficantes antes de irem à forra contra facções inimigas não é mera coincidência.

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Eleito com 80% dos votos, o governador Camilo Santana (PT), aliado da família Gomes, vê nos movimentos de policiais grevistas uma espécie de cavalo de tróia contra seu grupo político. Foi de um motim semelhante, entre 2011 e 2012, que surgiu o principal líder da oposição ao governo estadual: o deputado federal Capitão Wagner (Pros). Na época, o vazio da segurança levou a uma onda de arrastões e depredações pelo Ceará. Wagner é pré-candidato à Prefeitura de Fortaleza.

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Outras lideranças ligadas aos manifestantes, e identificadas com o bolsonarismo, entre eles um youtuber de 22 anos, hoje deputado estadual, também planejam voos mais altos na esteira da rebelião.

Trata-se, portanto, de uma briga política partidária forjada a tiro e sangue, com um vírus já instalado na aglomeração, e que os Gomes, um dos clãs políticos mais tradicionais da região, já identificaram e estão tentando conter -- nem que seja com uma retroescavadeira.

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Levado às últimas consequências, o enfrentamento virou cenário de bang bang na mesma semana em que outro senador publicou no Twitter o vídeo de um cadáver (falsamente atribuído ao miliciano Adriano da Nóbrega, morto a tiros no começo do mês), ministros do STF, alvejados por milicianos digitais e manifestantes de rua, são avisados que agora são alvo também de um possível ataque terrorista, um ex-presidente é enquadrado pela Lei de Segurança Nacional inspirada na ditadura, o ministro do Gabinete Institucional mandou um “foda-se” ao Parlamento (e ouviu uma reprimenda de volta) e o presidente que manda banana e faz ilações sexuais contra jornalistas foi emparedado por governadores que têm sido alvejados diariamente pela verborragia palaciana.

Se alguém ainda quiser saber onde estão os limites da normalidade institucional, é melhor olhar para trás. Com binóculos.