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Ciclo atual de alta de juros deve ser mais agressivo desde 2002

·3 min de leitura

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Ao elevar a taxa básica (Selic) nesta quarta-feira (27) em 1,5 ponto percentual, a 7,75% ao ano, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central reforçou a tese de que o ciclo atual de alta de juros deve ser o mais agressivo desde 2002.

A nova taxa é a mais alta desde 2017, durante o governo Michel Temer (MDB).

De acordo com o relatório Focus desta semana, em que o BC divulga projeções do mercado, economistas esperam que a Selic alcance 9,75% ao longo de 2022, 7,75 pontos percentuais acima de quando o BC voltou a elevar os juros, em março deste ano. Na época, a taxa básica estava no menor nível da história, a 2% ao ano.

Para os analistas, o próximo ano deve fechar com os juros a 9,50%.

Algumas instituições financeiras e casas de análise já consideram que os juros devem alcançar os dois dígitos no próximo ano, o que ampliaria ainda mais a distância entre a taxa inicial e a final deste ciclo.

Entre outubro de 2002 e maio de 2003 a Selic escalou 8,5 pontos percentuais. O período começou com 18% e terminou com 26,5% ao ano, segundo série histórica da autoridade monetária.

O ciclo foi marcado por elevações bruscas. Já na primeira reunião, que foi extraordinária (fora do calendário), o BC acrescentou à taxa 3 pontos percentuais, que foi para 21%.

Na época, a autarquia tentava conter a alta do dólar, que ficou próximo de R$ 4 diante da crise de confiança do mercado com as eleições daquele ano, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu vitorioso.

Na reunião seguinte o BC manteve a taxa e elevou em 1 ponto percentual no encontro de novembro de 2002. Na decisão de dezembro, o BC elevou novamente a Selic em 3 pontos percentuais, para 25% –desde então, a maior alta aplicada em uma só reunião havia sido de 1 ponto.

Mesmo com o choque de juros, a inflação fechou aquele ano em 12,53%, bem acima da meta estabelecida pelo (CMN) Conselho Monetário Nacional de 3,5% com tolerância de 2 pontos para cima e para baixo.

Desde a criação do regime de metas de inflação, em 1999, o Brasil teve seis ciclos completos de alta da taxa básica de juros e passa agora pelo sétimo ciclo, que tem sido mais intenso que o previsto.

O BC começou a usar a Selic como forma de política monetária em março de 1999. Naquele mês, a meta para a taxa básica passou por ajuste, com choque de 20 pontos percentuais, ao passar de 25% para 45% ao ano, sob a gestão de Armínio Fraga.

No primeiro dia no cargo, Fraga convocou reunião extraordinária do Copom e mudou a forma de definir os juros e passou a adotar a Selic, modelo que havia sido desenhado em fevereiro de 2002 por meio de declaração conjunta entre o governo e o FMI (Fundo Monetário Internacional).

Antes, havia um sistema de bandas de juros em que o BC fixava duas taxas, a Tban (Taxa de Assistência), que era o teto, e a TBC (Taxa Básica), que era o piso.

Naquele ano a inflação fechou em 8,94%, acima do centro da meta, que era de 6%, mas dentro do intervalo de tolerância de 2 pontos para cima e para baixo.

O último ciclo de alta antes do atual, entre 2013 e 2015, governo de Dilma Rousseff (PT), terminou com elevação de 7 pontos percentuais –de 7,25% a 14,25% ao ano. O patamar foi mantido até outubro de 2016. Durante o período, contudo, as elevações a cada reunião não passaram de 0,5 ponto percentual.

Em 2013 e 2014 a inflação encerrou dentro do limite estabelecido pelo CMN, embora perto do teto. Em 2015, entretanto, os preços subiram 10,67%.

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