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Chuvas de fevereiro provocam perdas de R$ 203 milhões no Sudeste

Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

As chuvas que caíram no país na primeira quinzena de fevereiro provocaram prejuízos para o setor varejista da ordem de R$ 203 milhões nas três principais capitais da Região Sudeste, de acordo com estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgado no Rio de Janeiro. Isso equivale à perda de cerca de 0,5% em vendas, disse hoje (28) à Agência Brasil o economista da CNC, Fabio Bentes, responsável pelo estudo. Medindo o impacto isolado nas capitais, o prejuízo alcançou R$ 122,9 milhões no mês, em São Paulo; R$ 46,4 milhões no Rio de Janeiro; e R$ 34,2 milhões, em Belo Horizonte.

A pesquisa partiu da constatação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Alerta Rio de que as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte foram as capitais com maior volume de chuvas nos primeiros quinze dias deste mês.

O fato chamou a atenção dos economistas da confederação porque se trata das principais capitais brasileiras. “Isso afeta o nível de atividade, de modo geral, e a gente focou no comércio”, disse Bentes. Foram analisadas as séries históricas de chuvas nos três estados e cruzadas com dados do varejo. “A gente constatou que nos meses em que há uma quantidade de chuva muito acima da média, o varejo, nessas regiões, tende a ter resultados negativamente afetados pelo volume de chuva.”

Foi o que aconteceu na primeira quinzena de fevereiro. O volume de chuvas foi 52% acima da média em Belo Horizonte, 41% em São Paulo e 100% no Rio de Janeiro. Na capital fluminense, houve acúmulo de 274 milímetros de chuva nos dias observados, “mais do que o dobro do que costuma chover no período”.

Impacto

Fabio Bentes informou que o impacto no varejo se dá de duas maneiras. Uma é a perda de mercadorias, uma vez que a maioria dos varejistas de médio e pequeno portes não contam com seguro para essa hipótese de ocorrência. O outro impacto é que a quantidade grande de chuva afeta a circulação dos consumidores, mesmo em ambientes mais resguardados das chuvas, como shopping centers, por exemplo. “Porque, se tem o problema de congestionamento ou alagamento na cidade, no entorno, isso afugenta o consumidor também”. Mesmo tendo o efeito compensação de que as pessoas continuaram consumindo alimentos, o varejo perde as vendas casuais. O comércio de rua se viu então muito afetado pelos transtornos ocasionados pelas chuvas nas três capitais do Sudeste.

Fabio Bentes avaliou que a perda de 0,5% das vendas pode parecer pouco. Só que 0,5% foi a média de crescimento do varejo nos últimos sete meses. “É como se a gente tivesse perdido um mês de crescimento por conta das chuvas. Como se não bastasse a alta do dólar, o desemprego, que ainda está muito elevado, a gente teve esse fato extraordinário do aumento das chuvas, provocando as perdas significativas nas três principais cidades do Brasil”.

A primeira quinzena de fevereiro, bastante atípica em termos de chuva, atrapalhou a atividade do varejo, que enfrentou ainda o feriado do carnaval, quando muitos consumidores direcionam parte dos gastos para o setor de serviços. Além disso, o economista da CNC lembrou que muita gente trabalha por conta própria e isso acaba afetando a atividade também. Em Belo Horizonte, esse foi o fevereiro mais chuvoso em 16 anos.