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Chuva para soja do Cerrado terá antecipação de 1 mês ante 2019, diz Rural Clima

Por Roberto Samora
·3 minuto de leitura
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Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - O Cerrado, onde o Brasil cultiva cerca de metade de sua soja, deverá receber precipitações mais generalizadas a partir do final de outubro, o que deve favorecer um plantio antecipado ante a temporada anterior, quando o chamado regime de chuvas só foi se instalar no final de novembro em áreas como a região do Matopiba, avaliou um agrometeorologista nesta quarta-feira.

"Uma coisa é a instalação do regime de chuvas, a outra são as chuvas... Chuvas generalizadas, no Estado inteiro, essas só vão acontecer no final de outubro no Cerrado", disse Marco Antonio dos Santos, da Rural Clima.

Em entrevista à Reuters, ele afirmou que do "sul de São Paulo para baixo" as precipitações mais gerais poderão ocorrer já a partir do final de setembro, permitindo um plantio com mais segurança aos produtores.

Apesar de mais antecipadas que em 2019/20, as chuvas não serão tão precoces quanto na temporada anterior, quando em 2018 sojicultores conseguiram realizar o plantio que é considerado o mais acelerado da história.

"O Paraná e sul de Mato Grosso do Sul devem começar o plantio dentro de uma normalidade, lá para meados de setembro... já o Mato Grosso e Goiás não terão ausência total de chuvas, mas teremos chuvas muito irregulares de 15 de setembro a 15 de outubro nessas áreas", acrescentou o especialista.

Segundo Santos, se tudo correr conforme esperado, o produtor de Mato Grosso poderá iniciar a colheita no final de dezembro, uma oferta muito bem-vinda, considerando que o Brasil deve encerrar o ano com estoques nos mais baixos níveis da história.

"Em Mato Grosso, na primeira quinzena de janeiro vai ter muita soja para embarque. Se tudo isso correr bem, a segunda safra, seja de milho ou algodão, vai ter um cenário promissor, muito dela vai ser plantado dentro janela ideal", destacou.

O plantio antecipado não chega a ser importante para a soja, em termos de produtividade, mas é fundamental para os rendimentos agrícolas da segunda safra, mais exposta a intempéries climáticas.

O agrometeorologista baseia as projeções em uma expectativa de normalidade climática.

Ele disse que há uma tendência de que as águas do Pacífico se mantenham um pouco mais frias que o normal na região equatorial, entre o final do inverno e o início de primavera, mas isso ainda não deve configurar um fenômeno La Niña.

"Se tivesse uma La Niña já instalada, não é o caso, mas se assim fosse as chuvas só iriam ocorrer no final de outubro. Como está esse clima neutro já teremos chuvas no final de setembro", afirmou ele, referindo-se ao Sul e Sudeste.

Essa situação de normalidade climática não deve implicar em riscos para o Sul do Brasil e permitir também um plantio um pouco mais antecipado ante 2019 em áreas como o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), comentou Santos.

Na safra 2019/20, o Rio Grande do Sul sofreu severas perdas na soja, o que impediu que o Brasil colhesse uma safra ainda maior.

Dessa forma, prevendo um crescimento no plantio, a Rural Clima trabalha preliminarmente com uma safra brasileira potencial de 131 milhões de toneladas, o que superaria o recorde da temporada atual, cuja produção está oficialmente estimada em 120,9 milhões de toneladas.

"Se o plantio rodar cedo, acho que tem possibilidade aumentar mais área e chegar a aumentar 1 milhão de hectares, se demorar, a área pode ter um aumento de 0,6 a 0,8 milhão", concluiu. O Brasil plantou 36,9 milhões de hectares em 2019/20.