Mercado fechado

Chuva de meteoros pode ser vista do Brasil na madrugada de sexta-feira (22)

Daniele Cavalcante

Se você acompanha eventos astronômicos como chuvas de meteoros, já deve ter ouvido falar em algumas delas, como Perseidas, Taurídeos, Oriônidas, entre outras que acontecem todos os anos. Mas há algumas menos frequentes, como a Alfa Monocerotídeas. Apesar de não ser muito famosa, ela pode proporcionar espetáculos com centenas de meteoros no céu — e talvez possamos vê-la em breve.

De acordo com a previsão dos cientistas Peter Jenniskens e Esko Lyytinen, do Instituto SETI, há boas chances de haver uma intensa atividade da Alfa Monocerotídeas entre a madrugada do dia 21 para o dia 22 de novembro. É um período bem curto, mas as previsões indicam que podemos ter uma taxa de 100 a 400 meteoros por hora.

Essa quantidade incomum de meteoros é explicada pela própria natureza da Alfa Monocerotídeas. As chuvas mais conhecidas normalmente produzem, em média, algumas dezenas de meteoros por hora durante os dias de pico, mas nosso planeta eventualmente atravessa uma nuvem densa de detritos deixados por passagens bem antigas de cometas. Dependendo da densidade dessa nuvem e da quantidade dos detritos, pode ocorrer o chamado “outburst”, uma hiperatividade momentânea de fluxo de meteoros entrando na atmosfera.

A possível tempestade da Alfa Monocerotídeas terá duração curta — algo entre 15 e 40 minutos. Para assistir e tentar capturar algumas imagens, será preciso estar bem preparado, em um local sem poluição luminosa, e permanecer bastante atento durante a noite para não perder nenhuma oportunidade.

Será visível do Brasil?

Sim, essa possível chuva de meteoros poderá ser observada em todas as regiões do nosso país. É que estamos numa posição privilegiada para visualizar o radiante da chuva, que fica na constelação Monoceros, bem próxima de Procyon, que é a estrela mais brilhante da constelação Canis Minor (Cão Menor). Caso ainda não saiba identificar as constelações no céu, uma boa dica é usar o aplicativo Carta Celeste (Star Chart), disponível para Android e iOS.

A previsão é que essa tempestade de meteoros pode ocorrer por volta da 1h50 da madrugada (no horário de Brasília) de sexta-feira (22). Outro detalhe bacana é que a Lua, que costuma atrapalhar a observação desse tipo de fenômeno, não deve interferir muito nessa ocasião: ela está na fase crescente e, portanto, reflete menos luz.

De acordo com a publicação de Jenniskens, a Alfa Monocerotídeas já produziu quatro tempestades registradas. Em 1925 e em 1935, essa chuva teve uma incrível taxa de 1.000 meteoros por hora. Já em 1995, a chuva teve cerca de 400 meteoros por hora. E as circunstâncias astronômicas apresentadas pelo pesquisador indicam que teremos as mesmas configurações de 1995; porém, dependendo de onde a Terra atravessar o túnel de detritos, poderemos ter taxas zenitais como as registradas em 1925 e 1935 — se isso acontecer, esta poderá ser a chuva de meteoros mais intensa já observada neste século.

Sem garantias

A previsão de Bill Cooke, da NASA, é um pouco menos otimista. Este mapa mostra o número total de meteoros que os observadores nos Estados Unidos podem esperar ver na chuva de meteoros Alfa Monocerotid, caso as taxas sejam semelhantes às de 1995 (Imagem: Cooke/NASA)

Apesar das previsões otimistas, não há certeza sobre o que vai realmente acontecer — ou se poderemos ver, de fato, alguma chuva de meteoros. Cautela é a recomendação de Bill Cooke, chefe do Meteoroid Environment Office, da NASA, que resolveu rever a previsão de Jenniskens por conta própria.

De acordo com Cooke, que também é um meteorologista especializado em chuvas de meteoros, previsões como essa, embora bastante precisas, costumam estimar uma intensidade maior do que a realidade nos reserva. Ele afirmou que não há muitas chances de acontecer um outburst e, mesmo que ocorra, não deve ser tão impressionante quanto a taxa de 1.000 meteoros por hora observada no início do século passado.

No entanto, ele não descarta uma chuva com cerca de 400 meteoros por hora, principalmente na costa leste dos EUA. E, mesmo no Brasil, dica é chegar ao local de observação com cerca de 45 minutos de antecedência para ajustar sua visão ao escuro, e depois é só relaxar e olhar para cima. Se Jenniskens e Lyytinen estiverem certos, você poderá ver alguns detritos de um cometa, até hoje desconhecido, queimando na atmosfera. Se estiverem errados, pelo menos você apreciará um pouco do céu noturno, o que pode ser um ótimo momento para refletir sobre a vida, nosso planeta, e todo o universo.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: