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Chuva de meteoro Leônidas atinge pico nesta semana; saiba como observar

Daniele Cavalcante
·3 minuto de leitura

A chuva de meteoros Leônidas, uma das mais imprevisíveis, está visível nesta semana — na verdade, até o dia 30 deste mês. Seu pico rolou na madrugada desta terça-feira (17), mas o espetáculo continua acontecendo na madrugada de quarta (18), com meteoros residuais aparecendo também ao longo das próximas noites. Durante os momentos de pico, a Leônidas pode trazer cerca de 10 a 20 "estrelas cadentes" por hora. É uma quantidade razoável e, ainda que não seja uma taxa excepcionalmente alta, as condições noturnas podem ajudar, pois o brilho da Lua não vai atrapalhar.

Além disso, esta é uma das chuvas mais deslumbrantes, podendo haver até algumas “bolas de fogo”, ou seja, meteoros mais brilhantes e maiores, com um tempo de duração maior que o normal. Eles também podem chegar a altas velocidades, movendo-se muito rápido, podendo chegar a 70 km/h.

De onde vêm os meteoros Leônidas?

Um meteoro "bola de fogo" da chuva Leônidas de 1998 (Imagem: Reprodução/Lorenzo Lovato)
Um meteoro "bola de fogo" da chuva Leônidas de 1998 (Imagem: Reprodução/Lorenzo Lovato)

A chuva de meteoros Leônidas está associada à passagem do cometa 55P/Tempel-Tuttle, que leva 33 anos para completar uma volta ao redor do Sol. O nome do cometa vem dos dois astrônomos que o descobriram, em momentos diferentes e de modo independente: Ernst Tempel e Horace Parnell Tuttle, que observaram o corpo celeste em 1865 e 1866, respectivamente.

Como acontece com todas as chuvas de meteoros associadas a cometas, a Leônidas é resultado dos detritos do Tempel-Tuttle. A cada 33 anos ele passa pela órbita da Terra deixando inúmeros vestígios, liberados quando se aproxima do Sol, e todos os anos nosso planeta cruza com esse rasto de “sujeira cósmica”. Quando isso acontece, alguns pequenos detritos acabam entrando em nossa atmosfera.

Também como acontece com as demais chuvas, a Leônidas pega seu nome emprestado de uma constelação. Nesse caso, a constelação de Leão, já que seu radiante se localiza nessas estrelas — ou seja, os meteoros sempre parecerão sair daquele ponto no céu.

Essa chuva se torna particularmente espetacular a cada 33 em 33 anos, já que é quando o cometa Tempel-Tuttle se aproxima da Terra. Nessas ocasiões, ela pode criar uma verdadeira tempestade de “estrelas cadentes”. Em 1799, 1833, 1866, 1966 e 1998, por exemplo, a Leônidas proporcionou chuvas com milhares de meteoros. No entanto, é difícil prever quando uma tempestade como essa vai ocorrer, mesmo sabendo que pode haver uma taxa maior a cada três décadas, aproximadamente.

Como observar a chuva de meteoros Leônidas

Posição do radiante da chuva de meteoros Leônidas às 2h da madrugada desta quarta-feira, na região de São Paulo. O céu não difere muito em outros estados do país (Imagem: Daniele Cavalcante/Canaltech/Stellarium)
Posição do radiante da chuva de meteoros Leônidas às 2h da madrugada desta quarta-feira, na região de São Paulo. O céu não difere muito em outros estados do país (Imagem: Daniele Cavalcante/Canaltech/Stellarium)

A constelação de Leão aparecerá no céu noturno por volta da 1h30 ou às 2h, dependendo da sua localização. Então, o melhor horário para observar a chuva de meteoros é a partir das 2h em diante, enquanto o radiante se move do sudeste em direção ao oeste, traçando um arco sem se elevar muito em direção ao zênite (o ponto do céu que fica exatamente acima da cabeça do observador).

Para observar a chuva, não é necessário nenhum equipamento especial, pois os meteoros são bem visíveis a olho nu. Também não será preciso olhar diretamente para o radiante, já que os meteoros podem surgir mais afastados dali — embora sempre aparentemente vindo de Leão.

Entretanto, a luminosidade da cidade pode atrapalhar a observação. Portanto, se possível, dirija-se a um local mais afastado, respeitando as precauções contra a COVID-19. Também é preciso que o céu esteja livre de nuvens e neblina.

Chuvas de meteoros podem variar em seus horários de pico, com algumas atingindo seu máximo por apenas algumas horas e outras por várias noites. Com a imprevisível Leônidas, não será diferente, então não desanime e se prepare para passar algumas horas observando o céu, sem pressa de ir embora — é o tipo de experiência que fica na memória!

Fonte: Canaltech

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