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Chinesa BYD amplia produção de painéis solares no Brasil com retomada na demanda

Luciano Costa
·4 minuto de leitura
Parque de energia solar na Califórnia

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A chinesa BYD ampliou a produção de painéis para geração de energia solar em sua fábrica em Campinas (SP), com a abertura de um novo turno de trabalho, e avalia uma expansão adicional que se concretizada levaria a unidade a operar 24 horas por dia, disse à Reuters um executivo da companhia.

O movimento da empresa, que além da oferta local também importa equipamentos para atender clientes no Brasil, vem em meio a um reaquecimento dos investimentos em energia solar depois de um baque inicial por efeitos da pandemia.

Mesmo com a crise do coronavírus, a energia solar foi a fonte que mais cresceu no país em 2020, se consideradas tanto grandes usinas como instalações menores, incluindo sistemas de geração em telhados, superando termelétricas e parques eólicos.

"Com a Covid, de março a junho foram meses muito difíceis, não virou nada. A partir de julho até dezembro teve um aumento, devagar, mês a mês. Mas janeiro e fevereiro tiveram aumento de vendas muito significativo e a projeção para o futuro também é boa", disse à Reuters o diretor de Marketing e Sustentabilidade da BYD no Brasil, Adalberto Maluf.

Segundo ele, a empresa contratou 60 novos funcionários, alta de quase 20% frente aos 350 de antes, e já opera desde o inicio do mês com capacidade ampliada de 250 megawatts/ano em placas solares, com a abertura de um segundo turno de atividades para sua única unidade de produção de equipamentos fotovoltaicos no país.

Mas a empresa quer sentir a temperatura do mercado, e poderá apostar em um terceiro turno no segundo semestre caso a demanda siga aquecida como neste início de 2021.

"A decisão vai ser ainda no primeiro semestre. Hoje a fábrica já comporta o terceiro turno, falta só contratar gente. Quando estamos com três turnos, é 24 horas, de segunda a segunda, só para no domingo à noite", destacou Maluf.

Com essa nova expansão, a capacidade de produção local poderia atingir 400 megawatts. No total, a BYD espera atingir vendas de 1 gigawatt em placas solares no Brasil em 2021.

"Se a fábrica crescer, a participação nacional vai ser maior. Se não, vamos importar. Provavelmente será algo como 40% de módulo nacional e 60% importado."

Ele disse que, com os sinais positivos dados pelo mercado brasileiro, a BYD viabilizou investimentos de 7 milhões de reais em adaptações de sua linha de produção para montar módulos solares maiores e de maior eficiência.

CRESCIMENTO FORTE

Para a BYD, o Brasil poderia instalar em 2021 cerca de 6 gigawatts em capacidade adicional de geração solar, entre usinas de grande porte e sistemas menores, de geração distribuída (GD).

Atualmente, o país possui cerca de 8 gigawatts operacionais em instalações fotovoltaicas, sendo cerca de 5 gigawatts em GD.

Em 2022, as novas instalações poderiam somar 8 gigawatts.

"Acreditamos que 2021 e 2022 serão muito positivos para a BYD no Brasil", disse Maluf, ao revelar projeções internas da empresa para o mercado brasileiro.

Ele disse que esses volumes devem ser possíveis devido a um momento de fortes investimentos em geração distribuída e projetos de energia solar que vendem a produção diretamente para empresas, no chamado mercado livre de energia.

A retomada de leilões para contratação de novas usinas de geração de energia no país, após uma suspensão de licitações no ano passado, por incertezas associadas ao coronavírus, também deve ajudar a gerar volumes nos próximos anos.

CÂMBIO E NEGÓCIOS

O diretor da BYD disse que a empresa também tem planos de adensar sua cadeia produtiva no país e os fornecedores locais, até para reduzir impactos cambiais sobre os equipamentos.

Ele admitiu que a valorização do dólar e o próprio aumento da demanda elevaram custos de painéis no Brasil, mas descartou que isso possa reduzir o apetite de investimentos no setor.

"A solar se viabilizou como a grande fonte de energia limpa do mundo".

Segundo Maluf, cerca de 60% do custo de fabricação dos painéis no Brasil está associado ao dólar.

Mas a BYD tem planos de aumentar a fatia de componentes locais com a produção no Brasil de células solares, principal produto tecnológico do setor, e está em negociações para que um parceiro faça esse investimento em breve.

Isso deverá ser possível nos próximos anos, quando a empresa conseguir assegurar uma fabricação anual de ao menos 500 megawatts em placas no Brasil, afirmou o diretor.

"Temos parceiros que têm linha de montagem, fábricas, e com 500 MW já se disporiam a vir investir aqui, a gente garantindo a compra deles. Com 500 MW já abre essa possibilidade".

O executivo defendeu ainda que a produção de painéis solares no Brasil é um importante avanço para o país em meio a uma tendência de desindustrialização vista nos últimos anos.

(Por Luciano Costa)