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China vira estrela da eleição na Hungria após revolta contra construção de universidade

·4 minuto de leitura

BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - O Dalai Lama esteve ao lado da oposição húngara numa vitória simbólica contra o premiê nacionalista Viktor Orbán. Não pessoalmente, mas como um dos nomes de rua usados pela prefeitura de Budapeste para torpedear um dos projetos caros a Orbán, a construção de um campus para a universidade chinesa Fudan, de Xangai.

Um dos pré-candidatos da frente única que tenta derrubar o premiê nas eleições do ano que vem, o prefeito da capital, Gergely Karácsony, usou uma estratégia chamativa para criticar a obra. Nas avenidas que levam ao terreno destinado à instituição da China, colocou nomes de adversários do regime chinês.

Além da que homenageia o líder religioso que defende a autonomia do Tibete, também foi batizada a rua dos Mártires Uigures, em referência à minoria muçulmana sob repressão do Partido Comunista Chinês, a Hong Kong Livre --a região administrativa especial tem sido palco de protestos contra o governo da China-- e a rua Bispo Xie Shiguang, em homenagem a um padre católico perseguido.

A construção custaria 1,5 bilhão de euros (R$ 9,2 bi) e, segundo documentos obtidos por uma agência jornalística húngara, seria financiada com um empréstimo chinês à Hungria. O governo húngaro também arcaria com os salários dos cerca de 500 professores e a manutenção do campus de 520 mil m² (cerca de um terço do parque Ibirapuera), ginásio esportivo e centro de convenções, mas não teria controle administrativo nem didático da universidade, de acordo com o projeto publicado.

A oposição ao projeto se inflamou ainda mais quando se soube que a área escolhida era a mesma antes destinada a um complexo de moradia estudantil para húngaros de todo o país que estudam em Budapeste. Renomear as ruas não seria suficiente para interromper os planos de Orbán, reconheceu Karácsony, mas "envia uma mensagem clara de que vamos usar todos os meios à nossa disposição para proteger a cidade estudantil", disse ele ao site Politico.

Orbán acabou forçado a suspender o projeto depois que milhares de manifestantes marcharam em Budapeste contra a construção da universidade. Pesquisas mostraram que a ideia era rejeitada pela maioria dos húngaros, incluindo quase um terço dos apoiadores do premiê, e nas passeatas manifestantes levavam cartazes com dizeres nacionalistas como "dinheiro húngaro para universidades húngaras".

Para a historiadora Eva Balogh, ex-professora da Universidade Yale (EUA), a questão da Fudan foi o estímulo perfeito para disparar grandes manifestações, até então tímidas e restritas pela pandemia de Covid-19. "Ali estava um problema que todos podiam entender: 'Os húngaros estão sendo expulsos em prol dos interesses estrangeiros. Seu próprio governo não se importa nem um pouco com eles e seu futuro, mas cumpre servilmente as ordens de um regime opressor, que reprime os cristãos' ", afirma Balogh.

Surpreendido pelas marchas, Orbán suspendeu o projeto e prometeu fazer um plebiscito, mas apenas depois das eleições, marcadas para 2022. O pleito deve ser o primeiro em que o premiê, à frente da Hungria desde 2010, corre algum risco de perder o poder.

Um sinal de que o primeiro-ministro húngaro pode ter sentido o golpe da ameaça da nova frente única foi seu aparecimento numa entrevista, para reforçar que a Fudan colabora com universidades alemãs, escandinavas e americanas. "Se esses países conseguem proteger seus interesses de segurança nacional, também somos capazes disso", disse ele.

Com uma retórica fortemente anticomunismo em seus discursos, Orbán tem paradoxalmente bloqueado declarações contra ações de desrespeito aos direitos humanos do governo chinês, em reuniões de líderes da União Europeia. Após vetar uma condenação à repressão em Hong Kong, o premiê disse: "Se for apresentado mais cem vezes, o mesmo resultado será repetido cem vezes".

A Hungria também se aproximou economicamente do país asiático, com parcerias em infraestrutura --como a reforma da ferrovia Budapeste-Belgrado, com um financiamento de US$ 3 bilhões (R$ 15,2 bi)-- e na vacinação --foi um dos poucos países europeus a usar um imunizantes chinês, da Sinopharma, em sua campanha contra a Covid-19. Também hospeda o maior centro de abastecimento no exterior do grupo de telecomunicações Huawei.

Já Karácsony aproveitou para declarar que era contra "o projeto Fudan como foi planejado" e não contra a China. Segundo ele, seu objetivo é manter um bom relacionamento tanto com o governo chinês quanto com a comunidade chinesa de Budapeste. "Mas continuarei pedindo a proteção dos direitos humanos quando necessário, e acredito que líderes de todo o espectro político devem fazê-lo."

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