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China usa "sala ultravioleta" contra o coronavírus na limpeza de ônibus

Claudio Yuge

A luz ultravioleta (UV) já é utilizada há bastante tempo para eliminar germes, patógenos, bactérias, fungos e bolores em vários setores das indústrias farmacêuticas e de bebidas e em ambientes hospitalares. Como não utiliza agentes químicos, é eficaz, tem um relativo baixo custo para manutenção e é ecologicamente amigável, a China tem optado por esse recurso com mais frequência no combate ao novo coronavírus (SARS-CoV-2). Agora, o governo busca outras tecnologias e métodos para aplicá-lo de forma ampla.

Assim, agências de vários serviços no país têm utilizado a luz UV em ônibus públicos e elevadores. Recentemente, a empresa de transporte público Yanggao, de Xangai, transformou uma sala de limpeza regular em uma câmara de desinfecção com essa ferramenta. Isso reduziu o processo de higienização dos veículos, de 40 minutos para apenas cinco minutos.

Imagem: Reprodução/AFP

"Depois que a epidemia aconteceu, estávamos buscando ativamente um método de desinfecção mais eficiente", disse Qin Jin, vice-gerente geral da estatal. Ele explicou que normalmente o processo requer a atenção total de dois funcionários, que pulverizam desinfetantes nas superfícies dos veículos antes de limpá-los. "O problema disso é que eles não conseguem chegar a certos cantos", comentou.

Recentemente, o grupo firmou parceria com um fornecedor de tecnologia para converter duas salas de limpeza para esse sistema. Os locais estão equipados com 210 tubos de UV e têm capacidade para desinfetar até 250 ônibus por dia em cada câmara. Com uma demanda de cerca de 1 mil veículos diariamente na rede Yanggao, essa implementação diminui a quantidade de horas extras de pessoal e otimiza questões relacionadas à logística e mão-de-obra. 

OMS e especialistas dizem que é preciso tomar cuidado com UV

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que as lâmpadas UV não devem ser usadas para esterilizar as mãos ou outras áreas da pele. Segundo o órgão, a radiação UV pode causar irritação na pele — para evitar isso, Qin afirma que as câmaras são vedadas depois da entrada dos veículos e ativadas pela equipe do lado externo. Especialistas em saúde dizem que a luz UV normalmente não é usada para desinfetar áreas públicas, mas pode ser eficaz se for aplicada com cuidado e da maneira correta.

Paul Tambyah, presidente da Sociedade de Microbiologia Clínica e Infecção da Ásia-Pacífico, concorda que esse processo pode ser eficaz, mas também destaca o potencial risco de câncer de pele. "A desinfecção por UV é amplamente usada em hospitais em todo o mundo, após a saída dos pacientes do quarto. Esse recurso é usado em patógenos resistentes a antimicrobianos, tuberculose e outros agentes infecciosos". Ele acrescenta que, embora geralmente não seja aplicado no transporte público, "não há razões para que não funcione".

E fica o aviso: não vá sair por aí se cobrindo de raios UV. A OMS e nenhuma autoridade de saúde recomenda o uso na pele e nem em seus ambientes pessoais para evitar o novo coronavírus.

Raios UV em “elevadores inteligentes”

Yanggao não é a única organização que investe nessa frente. O Banco Central da China disse em fevereiro que vinha desinfetando e isolando notas de dinheiro com a ajuda de luzes UV para combater o novo coronavírus. Um departamento de supervisão de mercado na província de Guangdong, no sul do país, propõe até "sistema inteligente de desinfecção por elevador UV", para higienizar os compartimentos nos cantos difíceis de alcançar e eliminar os vestígios de líquidos de limpeza. 

O projeto prevê que tubos UV em elevadores sejam ativados quando sensores confirmam a ausência de usuários. Em seguida, os raios UV fariam a varredura e se desligariam automaticamente. A ideia é implantar isso em espaços públicos, como elevadores de hospitais — resta saber se protocolos de segurança serão realmente eficazes para assegurar que ninguém esteja nesses ambientes durante a aplicação.

Fonte: Canaltech

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