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China testa com sucesso sua própria vela solar na órbita da Terra

Daniele Cavalcante

A China confirmou que sua primeira vela solar verificou com sucesso muitas tecnologias importantes na órbita terrestre. De acordo com os dados e imagens enviados pelo satélite, o principal teste tecnológico da vela solar SIASAIL-I está progredindo sem problemas, o que é um importante avanço na missão de verificação da tecnologia idealizada por Carl Sagan. Este é o mesmo conceito da LightSail 2, que abriu suas velas com sucesso em julho de 2019 — o de naves capazes de se mover no espaço sem a necessidade de combustível, usando apenas o impulso solar para tal.

Desenvolvida pelo Shenyang Institute of Automation (SIA) da Academia Chinesa de Ciências, no nordeste da China, a SIASAIL-I é uma espaçonave impulsionada pelos raios solares — podemos compará-la a um barco movido pela força do vento aplicada às velas. Por não depender de propelentes químicos, uma vela solar é econômica e pode ultrapassar os limites do Sistema Solar.

Essa não é a primeira vez que uma nave é lançada para provar o conceito de propulsão espacial por meio de velas solares. Em 20 de julho de 2001, a Cosmos-1 foi lançada como um projeto conjunto russo-estadunidense, dirigido pela Sociedade Planetária, e se tornou a primeira espaçonave de vela solar do mundo. Outros países, como Japão, Estados Unidos e Reino Unido, já realizaram pesquisas com velas solares em órbita, incluindo a LightSail 2 da Sociedade Planetária, lançada por um foguete Falcon Heavy, da SpaceX.

Liu Jinguo, líder da equipe do projeto SIASAIL-I, disse que a membrana flexível — ou seja, o corpo da vela, responsável por capturar os raios solares e impulsionar a espaçonave — foi dobrada e inserida em uma máquina de implementação, que é menor que uma bola de bilhar. Uma vez que o satélite é posicionado em órbita, os cientistas realizam a verificação técnica com a implementação em dois estágios.

No primeiro estágio, o corpo da vela solar é empurrado pela máquina de implementação para fora da plataforma do satélite e realiza um giro de 90 graus. O segundo estágio é levantar os mastros e gradualmente desdobrar a vela, que mede no total cerca de 0,6 metros quadrados.

Os pesquisadores ainda realizarão estudos sobre a vida útil do mecanismo, características do material e altura orbital para descobrir se a tecnologia de vela espacial é capaz de deixar a órbita terrestre e alimentar espaçonaves para tarefas úteis, tais como a remoção de detritos espaciais.


Fonte: Canaltech

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