Mercado fechado

China tem 25 mortes por vírus e isola 2ª cidade para conter epidemia

A medida de isolamento em Huanggang vale até o final desta quinta. Depois, ela poderá ser retirada ou mantida pelas autoridades locais (Foto: Vivek Prakash/AFP via Getty Images)

O número de mortes decorrentes de infecção pelo novo tipo de coronavírus detectado na China aumentou para 25, segundo informaram nesta quinta-feira (23) autoridades chinesas. O total de pessoas afetadas já é superior a 610. Duas cidades chinesas estão atualmente em quarentena.

Além da Wuhan, também foi isolada Huanggang, com mais de 7,5 milhões de habitantes, localizada a cerca de 65 quilômetros. O prefeito de Huanggang suspendeu a circulação de trens da cidade, situada a 70 quilômetros de Wuhan. A medida vale até o final desta quinta. Depois, ela poderá ser retirada ou mantida pelas autoridades locais.

Leia também

Nessas duas cidades chinesas em quarentena, os transportes públicos foram suspensos e os restaurantes, os cinemas e diversos espaços públicos foram fechados, de forma a evitar a propagação do vírus.

Os primeiros casos de coronavírus na China foram notificados em 31 de dezembro. A situação fez com que autoridades da China e de outros países aumentassem os esforços para controlar um surto.

O local mais afetado é Wuhan, mas também há casos confirmados em Pequim, Xangai, Macau, Hong Kong. Além da China, cinco outros países já têm casos confirmados (EUA, Tailândia, Coreia do Sul, Japão e Taiwan). Cerca de 2.200 pessoas que entraram em contato com pessoas infectadas são mantidas em observação pelo governo chinês.

CASO SUSPEITO EM MINAS

O Ministério da Saúde descartou nesta quarta-feira (22) a possibilidade de que um caso atendido em Belo Horizonte possa ser enquadrado como suspeito de coronavírus. A posição ocorre após a Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais divulgar uma nota informando que investigava um caso suspeito em uma paciente brasileira que apresentou sintomas respiratórios "compatíveis com a doença viral aguda" após voltar da China.

O motivo é o fato de que a paciente atendida em Belo Horizonte esteve em Xangai, onde não há, até o momento, transmissão ativa do vírus. Segundo a definição atual da OMS, só há transmissão ativa do vírus na província de Wuhan.

A paciente, de 35 anos, foi atendida nesta terça-feira (21) na UPA Centro Sul de Belo Horizonte. Ela havia desembarcado da viagem três dias antes com sintomas respiratórios compatíveis com a doença viral, o que trouxe alerta às equipes de saúde. Em seguida, foi transferida para observação no Hospital Eduardo de Menezes. A medida ocorreu como precaução diante do histórico de viagens, já que a paciente não apresentava sinais de gravidade clínica.

A secretaria de Minas Gerais diz que aguarda o resultado de exames para confirmar ou descartar a hipótese e, assim, rever a classificação do caso. O quadro atual é estável. A paciente disse que não teve contato com pessoas com sintomas.

Em nota, o ministério diz ainda que, até o momento, não há detecção de nenhum caso suspeito no Brasil de pneumonia indeterminada relacionada à situação que ocorre na China.

A pasta informa ainda que tem realizado monitoramento diário da situação junto à OMS. Diz ainda que, assim que houver a definição de situação de emergência pela Organização Mundial de Saúde, irá tomar as medidas cabíveis.

Equipe médica do aeroporto de Roma se prepara para vistoriar passageiros procedentes de Wuhan, na China, em busca de sinais de coronavírus. (Foto: Reuters/Direitos Reservados)

MEDIDAS

Nesta quarta, o aumento de casos na China fez o Ministério da Saúde reunir um comitê de operações de emergência para acompanhar o caso e avaliar novas ações. A medida é adotada em todos os casos em que há eventos de importância à saúde pública.

Entre as ações já adotadas, estão a notificação da área de portos, aeroportos e fronteiras da Anvisa, avisos à área de vigilância do Mapa (Ministério da Agricultura) e notificação às secretarias de saúde, "evitando medidas restritivas e desproporcionais em relação aos riscos para a saúde e trânsito de pessoas, bens e mercadorias".

A Anvisa informou ter enviado recomendações a equipes de vigilância em saúde em portos e aeroportos para reforço no controle de possíveis casos suspeitos de ​coronavírus. O órgão enviou um documento que orienta equipes destes locais sobre o atendimento de viajantes com sintomas e pede notificação imediata de casos suspeitos, além de intensificação em procedimentos de limpeza e desinfecção de terminais. Até o momento, não há recomendação de restrições de viagem.

Apesar do modo de transmissão do coronavírus ser desconhecido, a pasta reforça a necessidade de cuidados básicos para reduzir o risco geral de infecções respiratórias agudas. Entre as orientações, estão evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias, realizar lavagem frequente das mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes e evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações.

CRONOLOGIA DO CONTÁGIO

  • 31 de dezembro

O governo chinês alerta a Organização Mundial de Saúde sobre a aparição, na cidade de Wuhan, de 11 milhões de habitantes, de uma série de casos de pneumonia de origem desconhecida.

  • 1 de janeiro

Autoridades de Wuhan fecham o mercado da cidade especializado no atacado de frutos do mar e peixes, local em que muitos pacientes trabalhavam ou frequentavam.

  • 11 de janeiro

China anuncia a primeira morte de um paciente com coronavírus.

  • 13 de janeiro

OMS identifica um caso de coronavírus na Tailândia, em uma paciente que teve pneumonia após voltar de uma viagem a Wuhan. Foi o primeiro registro da enfermidade fora da China.

Nos dias seguintes, o coronavírus foi identificado no Japão, Coreia do Sul e Taiwan.

  • 17 de janeiro

O Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) anuncia medidas de rastreamento de viajantes da China nos aeroportos de Nova York, Los Angeles e São Francisco, que recebem voos de Wuhan.

  • 21 de janeiro

Primeiros casos na Austrália e nos EUA — o paciente teria contraído o vírus em uma viagem a Wuhan.

Aeroportos de Tailândia, Hong Kong, Singapura, Austrália e Rússia intensificaram o controle da chegada de voos de zonas de risco.

Zhong Nanshan, chefe da equipe criada pela Comissão Nacional de Saúde da China para investigar o coronavírus, anuncia que o vírus pode ser transmitido entre humanos.

  • 22 de janeiro

A Organização Mundial de Saúde faz uma reunião emergencial para avaliar a declaração de uma emergência internacional de saúde.

A Secretaria de Saúde de Minas Gerais informa que foi registrado no Estado o primeiro caso suspeito de infecção em uma paciente que chegou a Belo Horizonte vinda da China no último sábado. O Ministério da Saúde, no entanto, nega que haja casos suspeitos no país.

Autoridades chinesas cortam transporte de Wuhan, centro do surto de coronavírus. A partir desta quinta-feira, serão suspensos voos, viagens de trem e ônibus saindo da cidade. Os serviços de metrô e balsas também serão afetados.

  • 25 de janeiro

É a data do Ano Novo na China. Autoridades temem que o alto fluxo de viagens contribua para a difusão do vírus.


da Agência Brasil, com informações da FolhaPress e Agência O Globo