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China repudia acordo da Austrália com EUA e Reino Unido para submarinos nucleares

·2 minuto de leitura
Presidente dos EUA, Joe Biden, durante reunião virtual com os primeiros-ministros do Reino Unido, Boris Johnson, e da Austrália, Scott Morrison

Por Trevor Hunnicutt e Nandita Bose e David Brunnstrom e Colin Packham

WASHINGTON/CANBERRA (Reuters) - Os Estados Unidos, o Reino Unido e a Austrália anunciaram uma nova parceria de segurança para o Indo-Pacífico, um gesto saudado por aliados regionais e repudiado pela China por supostamente intensificar uma corrida armamentista na região.

Conforme a parceria, anunciada pelo presidente Joe Biden, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e o premiê australiano, Scott Morrison, os EUA e o Reino Unido proporcionarão à Austrália a tecnologia e a capacitação para utilizar submarinos nucleares.

Washington e seus aliados estão procurando maneiras de repelir o poder e a influência crescentes da China, particularmente seu desenvolvimento militar, sua pressão sobre Taiwan e suas incursões no disputado Mar do Sul da China.

Os três líderes ocidentais não mencionaram a China no anúncio de quarta-feira, e autoridades de alto escalão do governo Biden que informaram os repórteres previamente disseram que a parceria não visa se contrapor a Pequim.

Mas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Zhao Lijian, disse que os três países estão "danificando seriamente a paz e a estabilidade regionais, intensificando uma corrida armamentista e danificando os esforços internacionais de não-proliferação nuclear".

Países não deveriam formar parcerias que visam terceiros países, disse ele em uma entrevista coletiva de rotina em Pequim nesta quinta-feira.

"A China acompanhará atentamente o desenvolvimento da situação", afirmou.

Em um anúncio virtual, os líderes norte-americano, britânico e australiano enfatizaram que a Austrália não mobilizará armas nucleares, mas usará sistemas de propulsão nuclear nas embarcações, para se salvaguardar de ameaças.

"Todos nós reconhecemos o imperativo de se garantir a paz e a estabilidade no Indo-Pacífico no longo prazo", disse Biden.

"Precisamos ser capazes de tratar tanto do atual ambiente estratégico da região quanto a maneira como ele evolui, porque o futuro de cada uma de nossas nações, e de fato do mundo, depende de um Indo-Pacífico livre e aberto perdurando e florescendo nas décadas adiante."

Morrison disse que os submarinos serão construídos na cidade de Adelaide e que a Austrália cumprirá todas as suas obrigações de não-proliferação nuclear.

Já Johnson disse que o pacto, batizado de Aukus, não almeja confrontar ninguém e que reduzirá os custos da nova geração de submarinos nucleares britânicos.

"Agora que criamos o Aukus, esperamos acelerar o desenvolvimento de outros sistemas de defesa avançados, inclusive em inteligência cibernética e artificial, computação quântica e capacidades submarinas", disse ele ao Parlamento.

(Por Steve Holland, Nandita Bose, David Brunnstrom, Mike Stone, Trevor Hunnicutt em Washington e Colin Packham em Canberra; reportagem adicional de John Irish e Matthieu Protard em Paris e Gabriel Crossley em Pequim)

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