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China e Rússia pedem à ONU redução de sanções contra a Coreia do Norte

Por Poornima WEERASEKARA, con Philippe RATER en Naciones Unidas
(Arquivo) A Coreia do Norte está sob pesadas sanções dos EUA e das Nações Unidas por causa de seu programa nuclear, mas ficou frustrada com a falta de alívio depois de declarar uma moratória nos testes nucleares e internacionais de mísseis balísticos

A China pediu nesta terça-feira ao Conselho de Segurança da ONU que apoie uma proposta da China e da Rússia para reduzir as sanções contra a Coreia do Norte, desde que este país avance em direção à desnuclearização.

A proposta da Rússia e da China solicita "ajustar as sanções contra a Coreia do Norte" em função das concessões feitas por Pyongyang.

A iniciativa ocorre no momento em que as negociações entre Estados Unidos e Coreia do Norte, retomada em 2018, estão paralisadas após o fracasso da cúpula entre Donald Trump e o líder norte-coreano Kim Jong Un em fevereiro.

Nas últimas semanas, Pyongyang deu a Washington um ultimato até o final de 2019, prometendo que, se não houver progresso, receberá um "presente de Natal".

O presidente americano Donald Trump disse na segunda-feira que ficaria "decepcionado" se a Coreia do Norte "estivesse tramando algo".

"A península está passando por um período importante e sensível. A urgência da regulamentação política é importante", considerou nesta terça Geng Shuang, porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China.

A comunidade internacional deve "impedir que a península volte à tensão e ao confronto", acrescentou em entrevista coletiva, na qual justificou a proposta de seu país à ONU.

Sem detalhar o que Pyongyang deve fazer para obter o alívio das sanções, a proposta dos dois países pede o fim de algumas medidas concretas para melhorar as condições de vida dos norte-coreanos.

Para os autores do texto, a ONU deveria, por exemplo, pôr um fim à proibição de seus Estados membros de importar carvão, ferro, minérios de ferro e têxteis da Coreia do Norte.

China e Rússia também exigem a revogação da medida, implementada em 2017, que exige que os membros da ONU devolvam à Coreia do Norte após dois anos os trabalhadores daquele país que trabalham no exterior.

"Esperamos que o Conselho de Segurança conceda seu apoio a uma resolução política do problema" na Coreia do Norte, disse o porta-voz chinês.

Shuang também apelou à retomada, "o mais rápido possível", do diálogo entre Washington e Pyongyang para evitar um "descarrilamento", e instou os dois países a respeitarem "as preocupações uns dos outros".

Os Estados Unidos exige que a Coréia do Norte renuncie a todo o seu arsenal atômico, enquanto Pyongyang exige a rápida revogação de pelo menos parte das sanções.

A Coreia do Norte repetiu em várias ocasiões que não desistirá de seus mísseis nucleares, sem garantias para sua segurança nacional.

A proposta da China e Rússia inclui uma lista de produtos que não deveriam ser objeto de sanções, de escavaderas a aspiradores, passando por tratores.

O futuro desse projeto é incerto.

Segundo uma fonte diplomática, é pouco provável que se emita um voto a este respeito rapidamente

Além disso, Moscou e Pequim devem assegurar pelo menos nove votos dos 15 que compõem o Conselho de Segurança, uma tarefa complicada.

Também não pode haver veto dos demais membros permanentes (Estados Unidos, França e Reino Unido). E os europeus defendem, neste momento, a manutenção das sanções.