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China promove maior expansão de capacidade nuclear de sua história

·5 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Setenta e seis anos depois da explosão da primeira bomba atômica contra uma cidade, a japonesa Hiroshima, a China começou um ambicioso programa de expansão de sua capacidade ofensiva com armas nucleares.

Potência ascendente, ela ainda está longe de rivalizar ainda com os arsenais da Rússia e dos Estados Unidos, o país que promoveu o ataque pioneiro, relembrado nesta sexta-feira (6).

Mas dois trabalhos recentes de pesquisadores norte-americanos mostram que a realidade pode estar a caminho de mudar.

Até aqui, Pequim operava cerca de 20 silos para o lançamento de ICBMs (sigla inglesa para mísseis balísticos intercontinentais), com modelos capazes de atingir alvos em quase todo o mundo --e, certamente, seus adversários americanos e europeus.

Em 30 de junho, o Centro para Estudos de Não-Proliferação de Monterey publicou uma análise de imagens de satélite mostrando que os chineses estão construindo um grande complexo de 800 km² com até 119 silos para seus novos mísseis DF-41.

O local chamou a atenção: na área desértica do interior chinês, em Yumen, distante dos pontos atuais, no sudeste do país, e longe do alcance de armas convencionais como mísseis de cruzeiro de rivais.

A descoberta levou a uma busca frenética da comunidade nuclear por mais evidências. Um mês depois, o pesquisador Matt Korda, da referencial FAS (Federação dos Cientistas Americanos, na sigla inglesa), publicou com seu colega Hans Kristensen que não havia só um, mas dois campos de silos novos.

O segundo fica em Hami, a 380 km do sítio inicial, e tem o mesmo tamanho. "É a maior expansão de capacidade nuclear da história da China", escreveram os pesquisadores, "e a maior [do mundo] desde a construção de silos americanos e soviéticos na Guerra Fria".

Até hoje, 80% do arsenal de ICBMs chineses usa lançadores móveis, que têm a vantagem de serem menos fáceis de ser identificados --nas regras da guerra nuclear, um dos alvos primários são os silos adversários.

Por outro lado, balancear as opções de lançamento é algo que faz parte da doutrina das potências nucleares, até para confundir os adversários.

Seja como for, com os dois novos campos, a base de testes de Jilantai e seus 14 silos e outras expansões já identificadas, a China está mais que decuplicando sua capacidade de lançamento estático.

"Nós acreditamos que a China está expandindo suas forças em parte para manter uma dissuasão que possa sobreviver a um primeiro ataque americano em números suficientes para derrotar as defesas de mísseis dos EUA", escreveu Jeffrey Lewis, autor do primeiro estudo.

Uma coisa, contudo, é ter os silos. Outra, equipá-los.

Hoje, a FAS estima que a China tenha 350 ogivas nucleares, muitas delas usadas de forma múltipla no novo DF-41, que pode carregar ou uma bomba mastodôntica de 1 megaton (66 vezes o poder da bomba de Hiroshima) ou talvez 10 menores por até 15 mil km.

Hoje, o grosso da força de mísseis ainda é com o antigo DF-5, introduzido nos anos 1980. Bastante obsoleto, ele usa combustível líquido, o que o faz levar até uma hora para ser abastecido para disparo.

Numa guerra nuclear, isso é uma eternidade --bombas americanas cairiam em solo chinês, contando aqui apenas aquelas lançadas de silos nos EUA e não de submarinos bem mais próximos, em cerca de 30 minutos.

O DF-41 e outras novas armas chinesas, como o míssil hipersônico DF-17, usam o mais efetivo propelente sólido.

A dúvida que fica é sobre a expansão do arsenal chinês em si, historicamente limitado de acordo com o pensamento estratégico de evitar sinalização de confrontos.

Como isso mudou sob a assertiva liderança de Xi Jinping, desde 2012, levando à Guerra Fria 2.0 lançada por Donald Trump em 2017, eis a incógnita. Nas contas da FAS, se todos os silos forem completados nos novos sítios, uma conta conservadora de três ogivas por míssil colocará o arsenal chinês em quase 900 bombas.

O trabalho dos pesquisadores dá substância aos usuais toques de tambores de guerra feitos pelo Pentágono. Em abril, falando ao Congresso americano, o comandante das forças nucleares americanas havia alertado sobre uma "expansão de tirar o fôlego" na China.

As palavras do almirante Charles Richard, contudo, foram vistas à época como mais um dos pedidos por mais verbas usuais na política americana. Os EUA preveem gastar até US$ 1,7 trilhão em 30 anos para modernizar sua chamada tríade nuclear.

Ela é composta por três vetores de entrega de bombas atômicas aos inimigos: mísseis intercontinentais, bombardeiros e submarinos. Há uma crescente crítica sobre o alto gasto com os ICBMs, dado que são alvos fáceis, mas por ora a doutrina sugere que eles são essenciais.

A China adquiriu, nos últimos anos, a tríade, equiparando-se assim à sua aliada Rússia e aos EUA, ao tornar operacional uma versão capaz de ataque nuclear do bombardeiro H-6K.

Toda a preocupação, contudo, dissimula o fato de que 86% das ogivas operacionais do mundo estão na mão dos antigos rivais da Guerra Fria.

Pelos limites impostos pelo acordo Novo Start, renovado por Joe Biden após Trump quase o deixar caducar, russos e americanos têm de se limitar a 1.600 ogivas estratégicas prontas para uso, e um número determinado de lançadores, aviões e submarinos.

Essas são as armas destinadas a aniquilar o inimigo, mais potentes, em oposição às táticas, que visam ataques pontuais e não são cobertas pelo tratado.

Alarmado pelos movimentos chineses, Trump queria incluir Pequim no acordo, mas Moscou se recusou, até por um ato de orgulho geopolítico: Vladimir Putin se vangloria sempre que pode das grandes capacidades nucleares de seu país, que enfrenta dificuldades políticas e econômicas graves.

Especialistas em proliferação nuclear costumam se preocupar com quem pode usar uma bomba mais do que numa potência que as têm para não serem empregadas. Adversários instáveis, como Índia e Paquistão, são outra fonte grande de temor.

E a atividade tem sido intensa em Moscou em Washington. Putin desenvolveu uma nova geração de mísseis nucleares, hipersônicos inclusive, e os EUA adotaram armas menores e flexibilizaram sua doutrina para emprego tático da bomba. Sob Trump, americanos deixaram 2 de 3 acordos para tentar evitar a guerra.

Até por motivos políticos do Ocidente, contudo, os holofotes de 2021 parecem direcionados para a China de Xi, contudo. Eles mostram uma disposição renovada de asseverar importância num campo há 76 anos sob a sombra do cogumelo atômico de Hiroshima.

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