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China pode importar 50% menos carne suína e esfriar custo global

·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- A demanda recorde da China por carne suína de outros países pode despencar diante da forte queda dos preços domésticos, o que potencialmente diminuiria a pressão no mercado mundial de carne e esfriaria pelo menos um componente dos custos globais dos alimentos.

O maior importador de carne suína do planeta poderia reduzir as compras no exterior em mais de 50% no período de julho a dezembro em relação ao primeiro semestre, porque os suprimentos no país agora estão mais baratos do que os internacionais, disse Jim Huang, que comanda a China-America Commodity Data Analytics, uma consultoria independente com foco em agricultura.

Os contratos futuros globais de referência de carne suína acumulam alta superior a 25% em Chicago este ano devido à forte demanda e aos custos mais altos das rações. Em contraste, os preços da carne de porco na China caíram mais de 50% devido ao aumento da oferta, com a reposição dos plantéis após o impacto da peste suína africana. A carne suína dos EUA agora é mais cara do que a chinesa descontando tarifas e frete, disse Huang. Isso também significa que o governo pode repor as reservas estatais com menor custo no mercado local.

A queda da demanda chinesa por carne suína estrangeira pode ser uma boa notícia para consumidores no mundo todo. Os maiores preços da carne, grãos e óleos comestíveis contribuíram para elevar os custos globais dos alimentos este ano para o nível mais alto desde 2011, o que trouxe temores de inflação em meio à batalha mundial contra a pandemia.

Como exemplo do aumento da oferta local, a produção de carne suína na China deu um salto 36% no primeiro semestre em relação ao ano anterior, para cerca de 27 milhões de toneladas, enquanto o número de suínos subiu quase 30%, para 439 milhões no final de junho na comparação com os 12 meses anteriores, segundo dados do departamento de estatísticas na quinta-feira.

Durante todo o ano de 2020, a China importou um recorde de 4,4 milhões de toneladas de carne suína, mais que o dobro no ano anterior, enquanto nos primeiros cinco meses deste ano as compras no exterior subiram cerca de 14%, para quase 2 milhões de toneladas, segundo dados oficiais da alfândega. Espanha, Brasil e Estados Unidos foram os principais fornecedores.

Compras locais

O governo não precisa mais importar carne suína para as reservas estatais após a queda dos preços locais, disse Lin Guofa, analista sênior da consultoria Bric Agriculture Group. A China agora está comprando no mercado interno, tendo adquirido 13 mil toneladas esta semana e 17 mil toneladas na semana anterior.

Até o início do ano, o governo estava vendendo carne suína dos estoques para esfriar o mercado, pois a peste suína africana havia reduzido o número de suínos quase pela metade, o que impulsionou os preços. O governo de Pequim liberou 670 mil toneladas das reservas estaduais em 2020, o equivalente a cerca de 15% da quantidade de carne suína importada naquele ano.

Embora a demanda do país por carne suína estrangeira deva cair no segundo semestre, a história é diferente no caso de bovinos. As compras internacionais de carne bovina provavelmente não sofrerão nenhuma alteração em comparação com os primeiros seis meses do ano, devido à escassez doméstica e aos preços elevados, de acordo com Lin, da Bric.

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©2021 Bloomberg L.P.

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