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China pede retomada de relações com EUA

·2 minuto de leitura
Conselheiro do governo e ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi

PEQUIM (Reuters) - O diplomata sênior chinês Wang Yi disse nesta segunda-feira que os Estados Unidos e a China poderiam trabalhar juntos em questões como mudança climática e a pandemia de coronavírus se consertassem sua fragilizada relação bilateral.

Wang, um conselheiro do governo e ministro das Relações Exteriores chinês, disse que Pequim está pronta para reabrir o diálogo construtivo com Washington depois que as relações entre os dois países caíram a seu ponto mais baixo em décadas sob a gestão do ex-presidente Donald Trump.

Wang pediu a Washington que remova as tarifas sobre os produtos chineses e abandone o que ele disse ser uma supressão irracional do setor de tecnologia chinês, medidas que criariam as "condições necessárias" para a cooperação.

Antes de Wang falar em um fórum patrocinado pela chancelaria, autoridades exibiram imagens da "diplomacia do pingue-pongue" de 1972, quando um intercâmbio de jogadores de tênis de mesa abriu caminho para o então presidente Richard Nixon visitar a China.

Wang pediu a Washington que respeite os interesses centrais da China, pare de "difamar" o Partido Comunista, pare de interferir nos assuntos internos de Pequim e pare de "ser conivente" com as forças separatistas a favor da independência de Taiwan.

"Nos últimos anos, os Estados Unidos basicamente cortaram o diálogo bilateral em todos os níveis", disse Wang em comentários preparados traduzidos para o inglês.

"Estamos prontos para ter uma comunicação franca com o lado dos EUA e nos engajar em diálogos voltados para a solução de problemas."

Wang ressaltou um telefonema recente entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente norte-americano, Joe Biden, como um passo positivo.

Washington e Pequim se chocam em diversas frentes, como o comércio, acusações de crimes de direitos humanos contra minorias muçulmanas uigures na região de Xinjiang e as reivindicações territoriais chinesas no Mar do Sul da China, rico em recursos.

O governo Biden, porém, tem sinalizado que manterá a pressão sobre Pequim.

Biden expressa preocupação com as práticas comerciais "coercitivas e injustas" da China e endossou uma determinação da gestão Trump segundo a qual o país asiático cometeu genocídio em Xinjiang.

Mas ele também prometeu adotar uma abordagem mais multilateral e está disposto a cooperar com Pequim em temas como a mudança climática e persuadir a Coreia do Norte a abdicar de suas armas nucleares.

(Por Gabriel Crossley)