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Contagem de casos de COVID-19 na China têm aumento dramático em um só dia

Por Helen ROXBURGH y Laurent THOMET
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Cliente faz compras em supermercado de Tóquio em 13 de fevereiro de 2020

Mais de 200 pessoas morreram nas últimas 24 horas na China e foram registrados 15 mil novos casos de infecções pelo novo coronavírus COVID-19, devido a uma modificação no método de contagem dos doentes, o que aumentou a preocupação no mundo com a proporção desta epidemia.

No entanto, este aumento no número de casos "não representa uma mudança significativa da trajetória do surto", avaliou em Genebra Michael Ryan, chefe do departamento de emergência sanitária da Organização Mundial da Saúde (OMS).

"O aumento visto nas últimas 24 horas se deve, em grande parte, à mudança em como os casos são totalizados", acrescentou em declarações à imprensa.

No Vietnã, país fronteiriço com o gigante asiático, uma cidade de dez mil pessoas próxima a Hanói foi posta em quarentena devido ao COVID-19.

E no Japão, uma mulher de cerca de 80 anos infectada com o coronavírus morreu, elevando o número de mortos fora da China continental para três, após as mortes em Hong Kong e Filipinas.

As autoridades chinesas anunciaram que em apenas um dia 254 pessoas morreram devido a esta epidemia e que foram reportados 15.152 casos de infecção adicionais. É o pior balanço diário desde que o vírus surgiu em dezembro.

Um total de 1.367 pessoas morreram na China continental e oficialmente outras 60.000 foram infectadas desde o início da epidemia. Hubei concentra a maior parte dos casos, com 14.840, e de mortos adicionais, com 242.

- "Medida pragmática" -

O aumento considerável do número de infectados nas últimas 24 horas se deve à adoção de um sistema de cálculo diferente, que amplia a noção de casos positivos.

A partir de agora o balanço incluirá todos os pacientes cuja radiografia pulmonar apresente sinais de pneumonia, sem esperar o exame de ácido nucleico, até então indispensável para confirmar o diagnóstico.

Este teste é mais lento e complexo, o que atrasava o início do tratamento do paciente. A Comissão de Saúde de Hubei afirmou que o novo método permitirá que os pacientes recebam o tratamento "o mais rápido possível".

Kentaro Iwata, professor da Universidade de Kobe (Japão) e especialista em doenças infecciosas, considerou "compreensível" a mudança porque os hospitais estão saturados.

Para Yun Jiang, da Universidade Nacional da Austrália, a nova metodologia é uma "medida pragmática" ante a falta de testes de detecção mais precisos.

- Líderes políticos afastados -

No entanto, o aumento dos número de casos e a modificação dos critérios médicos fizeram aumentar o temor de que a magnitude da epidemia tenha sido subestimado.

Nesta quinta, dois dirigentes do Partido Comunista Chino (PCC) em Hubei, província do centro do país, cuja capital é Wuhan, cidade onde surgiu a epidemia, foram destituídos.

Um deles é o principal dirigente do PCC em Hubei, Jiang Chaoliang, que foi substituído pelo prefeito de Xangai, Ying Yong, que é próximo ao presidente Xi Jinping.

As autoridades chinesas, sobretudo às desta região, são criticadas pela má gestão da crise em especial quando os primeiros casos surgiram.

O descontentamento popular virou clamor após a morte, em 7 de fevereiro, do médico de Wuhan Li Wenliang, de 34 anos, morto pelo novo coronavírus e que foi um dos primeiros doutores a alertar para o risco que a doença representava. No entanto, foi alvo de uma reprimenda oficial por divulgar "rumores".

- Temor mundial -

Durante reunião em Bruxelas nesta quinta-feira, os ministros europeus da saúde defenderam uma maior coordenação entre países do bloco e alertaram para possíveis problemas de abastecimento de medicamentos e de equipamentos de proteção.

"Todos os Estados-membros têm um plano de ação e um bom nível de preparação", declarou a comissária de Saúde, Stella Kyriakides. Também assegurou que "até o momento não foi apontada escassez de medicamentos". A China é um importante produtor de princípios ativos, necessários para a fabricação de medicamentos.

Neste momento, a China mantém 56 milhões de pessoas em uma gigantesca quarentena em Hubei e restringe os movimentos de milhões mais em diversas cidades.

Fora da China, mais de 500 casos de contágio em 30 países foram confirmados. Até o momento nenhum foi reportado na África e na América Latina.

Um cruzeiro americano, que foi proibido de atracar em cinco portos asiáticos pelo temor do novo coronavírus, chegou nesta quinta-feira ao Camboja, onde seus 1.455 passageiros foram autorizadas a desembarcar.

No Japão, ao contrário, a situação continua tensa a bordo do cruzeiro "Diamond Princess", em quarentena perto de Yokohama (leste): 218 pessoas estão contaminadas e foram anunciados 44 novos casos nesta quinta-feira.