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China, um mercado histórico mas complicado para a Microsoft

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(Arquivo) O fundador da Microsoft, Bill Gates, em 9 de outubro de 2019
(Arquivo) O fundador da Microsoft, Bill Gates, em 9 de outubro de 2019

Potencial candidato à compra do popular aplicativo chinês TikTok, o gigante da informática Microsoft é uma das poucas empresas americanas de Internet que teve sucesso no país asiático, apesar da censura.

- Um pioneiro -

Com cerca de 6.200 funcionários na China, a Microsoft se instalou em 1992 no enorme mercado asiático.

O grupo fundado por Bill Gates possui, hoje, seu maior centro de pesquisa e desenvolvimento fora dos Estados Unidos.

Seu software Windows equipa a grande maioria dos computadores na China, apesar da disposição de Pequim nos últimos anos de desenvolver seu próprio sistema operacional.

No entanto, é um sucesso com suas desvantagens: as muitas versões piratas causaram uma grande perda de lucro para a empresa norte-americana.

O importante mercado chinês - muito restritivo para empresas estrangeiras - representa apenas uma gota no oceano de faturamento da Microsoft: apenas 1,8% do total, garantiu seu presidente, Brad Smith, no início deste ano.

- Bill Gates -

O fundador da Microsoft tem sido um grande exemplo de sucesso para muitos chineses, e seus livros são "best-sellers" no país.

Atualmente, à frente de sua fundação humanitária Bill & Melinda Gates, ele tem o prestígio de um chefe de Estado em Pequim.

Em janeiro, o presidente chinês, Xi Jinping, agradeceu-lhe pelo apoio dado durante a pandemia da COVID-19.

- Bing e LinkedIn -

Recorrendo ao argumento da estabilidade, a China censura todos os temas considerados politicamente sensíveis e pede aos gigantes da Internet que bloqueiem conteúdo indesejado.

Ao se recusar a atender aos pedidos de Pequim, as redes sociais dos EUA Facebook, Twitter, Instagram e YouTube, a enciclopédia participativa Wikipedia e vários meios de comunicação estrangeiros são totalmente bloqueados na China por uma "grande muralha de computadores", erguida pelos censores do regime.

Apesar de tudo, a Microsoft pode oferecer sua rede profissional LinkedIn no país, cumprindo as medidas draconianas de censura por meio de uma empresa parceira local.

O Bing, desenvolvido pela Microsoft, também é um dos poucos mecanismos de busca estrangeiros que não foram bloqueados na China, embora esteja muito atrás de seus concorrentes locais, Baidu e Sogou.

O site Greatfire.org, que monitora a censura on-line na China, acusou o Bing, anos atrás, de excluir ou cortar informações consideradas sensíveis pelo poder comunista.

- Videogame -

Em 2014, a Microsoft foi a primeira empresa estrangeira a entrar novamente no mercado de videogames na China, com seu console Xbox One. Em 2000, Pequim suspendeu a venda de todos os consoles por causa de seus supostos efeitos negativos sobre a "saúde mental" de jovens usuários, apesar de ainda estarem disponíveis no mercado ilegal.

- Na berlinda -

Também em 2014, as autoridades de concorrência chinesas lançaram uma investigação antitruste contra a Microsoft e seu onipresente sistema operacional Windows.

Mais de 100 inspetores fizeram batidas nos escritórios do grupo em quatro cidades chinesas, confiscando arquivos e interrogando funcionários.