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China interrompe listagens de ações britânicas por tensão política, dizem fontes

Por Julie Zhu e Abhinav Ramnarayan e Jonathan Saul

Por Julie Zhu e Abhinav Ramnarayan e Jonathan Saul

HONG KONG/LONDRES (Reuters) - A China temporariamente paralisou planejadas listagens de ações entre as bolsas de Xangai e Londres por causa de tensões políticas com o Reino Unido, afirmaram cinco fontes à Reuters.

A suspensão do sistema Shanghai-London Stock Connect lançou sombra sobre o futuro de um projeto criado para ampliar laços entre o Reino Unido e a China, ajudar empresas chinesas a expandirem a base de investidores e dar acesso de chineses a empresas listadas no Reino Unido.

As fontes afirmaram que razões políticas estão por trás da paralisação do projeto. Todas as fontes estão envolvidas nas negociações com autoridades chinesas.

Duas delas citaram a posição do Reino Unido sobre os protestos em Hong Kong e uma apontou declarações do país sobre a prisão de um ex-funcionário do consulado em Hong Kong.

Companhias britânicas e bancos envolvidos no projeto estão observando atentamente como o recém-eleito premiê britânico, Boris Johnson, vai lidar com as relações com Pequim e que posição ele assumirá sobre a crise política em Hong Kong, marcada por protestos há meses.

A China atribui responsabilidade pelos confrontos em Hong Kong à interferência de governos externos, incluindo Estados Unidos e Reino Unido. Os protestos são marcados por movimentos contra o governo e querem menor controle de Pequim sobre a região.

Representantes do órgão fiscalizador do mercado acionário da China e da bolsa de valores de Xangai não responderam a pedidos de comentários. Porta-vozes da bolsa de Londres e do ministério das Finanças do Reino Unido não se manifestaram.

O Ministério de Relações Exteriores da China afirmou que não tem detalhes sobre o assunto, mas acrescentou que "espera que o Reino Unido forneça um ambiente justo e não tendencioso para as companhias chinesas que investem no Reino Unido e que possa criar condições apropriadas para ambos os países promoverem uma cooperação prática em vários campos sem entraves".