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China "ganha" da NASA em sua primeira missão em Marte; entenda

·2 minuto de leitura

No ano passado, a China lançou a Tianwen-1 com destino a Marte, a primeira missão interplanetária do país. Já em maio deste ano, a nação asiática conseguiu pousar o rover Zhurong em Utopia Planitia, uma grande bacia de impacto no Planeta Vermelho. Estes feitos são bastante impressionantes por si só, mas podem ficar ainda mais surpreendentes: com tudo isso, a China se tornou o primeiro país a realizar uma operação de órbita, pouso e deslocamento de um rover logo na primeira tentativa.

Cumprir tantos objetivos em uma primeira missão — ainda mais uma com destino a um planeta cujos pousos têm taxa de sucesso de apenas 50% — não é nada fácil. Roberto Orosei, cientista planetário, afirmou em entrevista que “a China está fazendo, de uma só vez, o que a NASA levou décadas para conseguir”. A fala de Orosei não é sem fundamento: a sonda Mariner 9, da NASA, foi o primeiro satélite artificial a alcançar a órbita de outro planeta, em 1971. Depois, os rovers Spirit e Opportunity chegaram ao Planeta Vermelho somente em 2004, e ficaram ativos por longos períodos.

O rover chinês, junto de seu módulo de pouso, em Marte (Imagem: Reprodução/China National Space Administration)
O rover chinês, junto de seu módulo de pouso, em Marte (Imagem: Reprodução/China National Space Administration)

Com o sucesso do pouso, o rover Zhurong ainda tem alguns meses de exploração pela frente. Ao longo dos três meses de sua missão, o veículo investigará a topografia e estrutura geológica de Marte, a estrutura do solo, a presença de água de gelo, características físicas da atmosfera e da superfície, entre outros objetivos. Com isso, será possível complementar os dados já obtidos por outras missões, produzindo um retrato geológico mais completo do nosso planeta vizinho. O Zhurong tem também um magnetômetro, que ajudará os cientistas a entender por que Marte perdeu tanto de sua atmosfera.

Estas são somente algumas das conquistas alcançadas pela China National Space Administration (CNSA) no último ano. Entre outros feitos, vale destacar o lançamento de dezenas de foguetes Long March, que levaram várias cargas úteis ao espaço — entre elas, está a sonda lunar Chang’e 5. No ano passado, a missão trouxe amostras da Lua, as primeiras que recebemos desde a missão soviética Luna 24, lançada em 1976. Foi também neste ano que o país asiático lançou o módulo Tianhe, o primeiro de sua nova estação espacial, que deverá ser concluída no ano que vem.

Conceito da Tiangong-3, a nova estação espacial da China (Imagem: Reproução/China Manned Space Engineering Office)
Conceito da Tiangong-3, a nova estação espacial da China (Imagem: Reproução/China Manned Space Engineering Office)

Apesar de ter chegado à órbita desejada com sucesso, o foguete usado no lançamento acabou alcançando velocidade orbital, e passou a orbitar a Terra em uma trajetória imprevisível. No fim, o estágio do veículo lançador realizou a reentrada na direção do Oceano Índico, e os detritos que resistiram à queima atmosférica caíram no mar.

Mas, ainda assim, a China segue solidificando sua presença no espaço e seguindo para cumprir o objetivo ambicioso de se tornar a principal potência espacial na década de 2040.

Fonte: Canaltech

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