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China e Irã rejeitam denúncia da Microsoft sobre ciberataques nos EUA

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Microsoft afirma que hackers de Rússia, China e Irã têm eleições americanas como alvo
Microsoft afirma que hackers de Rússia, China e Irã têm eleições americanas como alvo

Os governos chinês e iraniano negaram, nesta sexta-feira (11), qualquer intenção de interferir na eleição presidencial dos Estados Unidos em novembro, conforme denunciado pelo gigante da computação Microsoft.

Pequim classificou de "inventadas" as acusações da Microsoft, que disse ter detectado ataques cibernéticos provenientes principalmente da China.

"Não temos qualquer desejo de interferir, e nunca fizemos isso", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian.

"A Microsoft não deveria inventar fatos, nem usar a China para criar polêmica", continuou Zhao Lijian.

"Por muito tempo, o governo e as empresas dos EUA violaram as leis internacionais" para "realizar roubos cibernéticos, vigilância e ataques" contra governos, empresas e indivíduos estrangeiros, criticou o porta-voz, acrescentando que "os Estados Unidos são o verdadeiro império da pirataria, do grampo telefônico e da espionagem".

Em texto publicado ontem em um blog, o vice-presidente da Microsoft, Tom Burt, relatou a detecção de ciberataques de Rússia, China e Irã, nas últimas semanas. Dirigidos a indivíduos e a organizações vinculadas à preparação das eleições, os ataques cibernéticos teriam sido detectados e frustrados pela empresa.

As tentativas malsucedidas de hackers de origem chinesa teriam como alvo direto figuras políticas, como o candidato democrata Joe Biden e uma pessoa "anteriormente associada" ao governo do presidente Donald Trump.

Um grupo chinês chamado Zirconium teria operado dessa maneira quase 150 vezes entre março e setembro de 2020.

Burt também relatou ter detectado ataques vinculados a grupos de hackers russos contra pessoal de campanha e consultores políticos, republicanos e democratas, mas também contra organizações nacionais de ambos os partidos e algumas siglas políticas do Reino Unido.

O grupo identificado como instalado na Rússia, o Strontium, teria "atacado mais de 200 organizações", conforme Burt.

Para Burt, está claro que "grupos de atividade estrangeira intensificaram seus esforços para intervir nas eleições de 2020, como se havia previsto".

- Acusações 'absurdas'

Na mesma direção, o Irã classificou de "absurdas" as acusações da Microsoft de que hackers iranianos têm a campanha presidencial dos Estados Unidos como alvo.

"Os Estados Unidos, que há décadas se intrometem nas eleições em outros países, como o Irã, não estão habilitados para dar declarações tão absurdas", disse o porta-voz do Ministério iraniano das Relações Exteriores, Saeed Jatibzadeh, citado pela agência oficial de notícias Irna.

"Para Teerã, pouco importa quem está na Casa Branca. O que conta é o compromisso de Washington com respeitar os direitos, normas e padrões internacionais e não se intrometer nos assuntos dos outros", disse Jatibzadeh.

De acordo com a Microsoft, incursões do Irã ligadas a um grupo identificado como Phosphorus afetaram contas individuais de pessoas em torno da campanha do atual presidente, o republicano Donald Trump.

"O que detectamos lembra tipos de ataques anteriores precedentes que não têm como alvo apenas os candidatos e o pessoal da campanha, mas aqueles que eles consultam sobre temas-chave", insistiu Burt.

Autoridades iranianas declararam várias vezes que não são a favor de nenhum candidato na eleição presidencial em curso nos Estados Unidos.

- Facebook, Twitter e Google nas eleições

Neste ano eleitoral nos EUA, Facebook, Twitter e Google também disseram ter intensificado seus esforços para proteger suas plataformas de campanhas de manipulação e de desinformação - em especial, segundo eles, as estrangeiras.

O Twitter informou que, a partir de 17 de setembro, aplicará uma política para remover "informação falsa, ou enganosa, destinada a minar a fé das pessoas em uma eleição", incluindo anúncios não verificados de vitórias e acusações de fraude e manipulação de votos.

Já o Google anunciou que poderá adotar medidas para garantir que sua função de "preenchimento automático" na busca não faça sugestões equivocadas.

Tanto Twitter quanto o Facebook acrescentaram hashtags de esclarecimento a publicações do presidente Donald Trump sobre a votação pelo correio.

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