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China diz que EUA mentem sobre 5G e têm histórico sujo em cibersegurança

FÁBIO PUPO
·4 minuto de leitura

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A embaixada da China no Brasil acusou nesta terça-feira (20) os Estados Unidos de mentirem sobre a tecnologia 5G e de criarem problemas que ameaçam regras internacionais. Os representantes do país asiático afirmaram que os americanos têm um passado sujo em cibersegurança e lembraram do episódio de espionagem de autoridades brasileiras durante o governo Dilma Rousseff (PT). As declarações sobem o tom na escalada de tensões entre os dois países em meio às decisões a serem tomadas pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido) acerca da tecnologia 5G. O argumento do governo americano, que enviou uma comitiva ao Brasil nesta semana para debater o assunto, é que a chinesa Huawei repassa informações sigilosas ao governo do país asiático, o que ameaçaria a segurança de dados do Brasil e a cooperação com os EUA. De acordo com a embaixada, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, e o conselheiro do presidente americano para Assuntos de Segurança Nacional, Robert O'Brien, espalharam com má fé mentiras políticas contra a China. Segundo comunicado dos representantes chineses, os políticos americanos se vangloriam de mentir, enganar e roubar e se tornaram criadores de problemas que ferem a ordem internacional. "Ao ignorar os fatos básicos e produzir comentários baseados na mentalidade de guerra fria e jogo de soma zero, eles têm como objetivo real servir a certos interesses políticos, tirar proveito político dos ataques que difamam a China, atrapalham a cooperação internacional e instam a confrontação", afirma comunicado divulgado pela embaixada. A China diz ainda que as práticas dos EUA sobre o tema revelam hipocrisia do país sobre o assunto, já que o país costuma defender equidade e liberdade, mas com ações sobre o assunto que violariam tanto os princípios de economia de mercado quanto as regras de abertura, transparência e não discriminação que regem a OMC (Organização Mundial do Comércio). O texto prossegue dizendo ainda que a comunidade internacional não vai se esquecer do "histórico sujo" dos EUA na segurança cibernética, que conduziram operações de "espionagem massiva, organizada e indiscriminatória contra os governos, empresas e indivíduos, entre eles os líderes dos países como o Brasil e das organizações internacionais". Em 2013, a presidente Dilma Rousseff chegou a cancelar a visita de Estado que faria a Washington em outubro daquele ano após virem à tona revelações de que a NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) estava monitorando a presidente. As relações com o então presidente Barack Obama ficaram estremecidas por dois anos após os fatos serem revelados. "Tais ações dos EUA, que prejudicam a privacidade e segurança de outrem, são as verdadeiras ameaças à segurança cibernética do mundo", afirma a embaixada no comunicado desta terça. A embaixada diz ainda que a comunidade internacional deve ficar alerta com a tentativa dos EUA de "sacrificar o desenvolvimento dos outros países para buscar a superioridade dos seus próprios interesses, conter o crescimento dos países de mercados emergentes como a China e provocar intencionalmente fissuras entre a China e seus amigos". A representação chinesa ainda acusa os EUA de reterem respiradores oriundos da China com destino ao Brasil. "Os EUA vêm agindo contra o espírito humanitário básico e até retiveram materiais médicos urgentes, inclusive respiradores, que foram enviados da China ao Brasil, numa tentativa maléfica de atrapalhar a cooperação", diz o texto. "O lado chinês está disposto a trabalhar junto com os diversos setores do Brasil para aumentar a confiança mútua, superar as diversas ingerências, expandir a nossa parceria tanto nas áreas tradicionais como nas emergentes, incluindo o 5G", afirmam os representantes chineses. Em junho, o embaixador dos EUA no Brasil, Todd Chapman, disse em entrevista à Folha de S.Paulo que o governo Trump já estava discutindo com o Brasil o financiamento para a compra de equipamentos da Ericsson e Nokia para a infraestrutura de 5G. Chapman argumentou que esse tipo de operação é do interesse da "segurança nacional" dos EUA. "No DFC [estatal americana que dá suporte a objetivos geopolíticos estratégicos de Washington], nós temos dois produtos que podem apoiar empresas brasileiras que buscam adquirir a nova tecnologia. Temos financiamento através de equity [aporte direto] e financiamento. E esses produtos estão disponíveis para as empresas brasileiras", afirmou nesta Sabrina Teichman, diretora do DFC, quando questionada sobre o tema. Mais cedo, em Pequim, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que políticos dos Estados Unidos estão se metendo na cooperação econômica e comercial normal, depois que o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse que o Brasil e os Estados Unidos precisam reduzir sua dependência de importações chinesas. Em entrevista coletiva, o porta-voz Zhao Lijian disse que China e Brasil são parceiros estratégicos e que tem amplo apoio em ambos os países. Lijian afirmou que a cooperação entre os países continuou a crescer mesmo com a pandemia do novo coronavírus. "A China se opõe firmemente à mentalidade da Guerra Fria e ao preconceito ideológico de alguns políticos dos EUA, que deliberadamente difamam e denegrem a cooperação econômica e comercial normal da China com outros países", disse Lijian.