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China: a revolução do governo pela 'prosperidade comum' que desagrada bilionários

·6 min de leitura
Ilustração da China
Iniciativa do presidente Xi Jinping que visa reduzir a desigualdade econômica no país ocupa lugar central nas políticas de Pequim

Nos últimos meses, dificilmente um dia se passa sem que haja o anúncio de alguma resolução governamental que enquadra um ou outro setor da economia chinesa.

As duras medidas regulatórias e o cumprimento rigoroso de regras já existentes têm como alvo muitas das maiores companhias do país.

Como explicamos na primeira parte desta série sobre as recentes mudanças na China, essas ações fazem parte de uma iniciativa política do presidente Xi Jinping conhecida como "prosperidade comum".

A frase não é nova na China. Ela tem sido usada desde a década de 1950, quando foi empregada pelo líder chinês Mao Tsé-Tung.

A escalada nas referências ao termo em 2021, ano em que o Partido Comunista Chinês celebra seus 100 anos, tem sido interpretada como um sinal de que a "prosperidade comum" ocupa um lugar central nas políticas de Pequim.

O objetivo é encurtar a imensa distância entre os cidadãos mais ricos e mais pobres da nação. Alguns avaliam que essa desigualdade coloca em risco a ascensão da segunda maior economia do mundo e representa uma ameaça existencial para o Partido Comunista Chinês.

As medidas recentes também são enxergadas como uma maneira de colocar limites nos bilionários donos das maiores empresas do país e de dar mais voz a consumidores e trabalhadores na forma como essas empresas operam e distribuem seus ganhos.

Mudanças locais com impacto global

A subida de tom nos últimos meses se traduziu em ações tomadas contra interesses das companhias chinesas.

Tudo vem passando por uma grande reformulação - desde seguros, educação privada, empreiteiras e até planos de companhias parar abrir capital nos Estados Unidos.

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Várias empresas, incluindo serviços de educação privada, têm passado por intenso escrutínio

A indústria tecnológica, em particular, tem observado um grande número de medidas e ações com vistas à atuação de empresas de e-commerce, serviços financeiros online, plataformas de mídias sociais, companhias de games, apps de transporte e operadores de criptomoedas.

Essas medidas têm tido um grande impacto tanto na economia quanto na sociedade chinesa - e os efeitos também são sentidos pelo mundo.

A incerteza sobre como são regulados os negócios na China tem tornado difícil para empresas no exterior tomar decisões a respeito de investimentos no país.

Outras análises apontam que essa incerteza é de curto prazo, apenas para o período de implementação das novas regras - é essa, aliás, a forma como o governo chinês vê o tema.

Bilionários enquadrados

Mesmo antes de a nova política de Xi Jinping para a economia chinesa ser totalmente revelada, Pequim colocou em ação uma tática de "choque e pavor", como demonstração de poder.

Menos de um ano atrás, Jack Ma, o multibilionário da Alibaba conhecido por suas aparições chamativas em eventos corporativos, aguardava a estreia de uma de suas principais empresas na bolsa de valores.

A oferta pública inicial (IPO) do Ant Group - braço financeiro da Alibaba e dono da maior plataforma de pagamento digital na China - tinha estimativa de alcançar US$ 34,4 bilhões.

A soma teria feito de Ma a pessoa mais rica da Ásia, mas ele fez um discurso em que criticava o sistema financeiro chinês.

Dias depois, a estreia da empresa na Bolsa foi cancelada e Jack Ma não foi visto em público novamente por vários meses.

Jack Ma
Jack Ma não foi visto por vários meses após criticar os sistemas regulatórios da economia chinesa

Desde então, a Alibaba recebeu uma multa recorde de US$ 2,8 bilhões após uma investigação apontar abuso de poder econômico. O Ant Group também teve de anunciar uma redução drástica para o seu plano de negócios.

Não estava claro se o episódio estava ligado à iniciativa governamental de "prosperidade comum", mas a queda espetacular de Jack Ma e as medidas adotadas contra seus negócios foram uma amostra poderosa do que estava para acontecer em cada canto da economia chinesa.

A torre de dívidas que balança

O grupo Evergrande é outro gigante dos negócios na China que se viu às voltas com a política de "prosperidade comum".

Sua área de atuação principal é o desenvolvimento imobiliário, mas a companhia também tem marcado território em campos como gestão patrimonial, carros elétricos e fabricação de bebidas. É também dona de um grande time de futebol, no qual já atuaram o brasileiro Paulinho e o argentino Darío Conca (ex-Fluminense).

Quem comanda a empresa é o multibilionário Hui Ka Yan, que, segundo a revista Forbes, se tornou por um breve período em 2017 a pessoa mais rica da Ásia.

Neste ano, uma crise de endividamento atingiu em cheio a Evergrande, com grandes repercussões em mercados internacionais.

Em meio aos planos para se tornar uma das maiores forças do setor de construção na China, a companhia acumulou dívidas que ultrapassam US$ 300 bilhões.

Pequim agora avalia que firmas com grandes endividamentos são uma ameaça para a economia. Foi com o caso da Evergrande em mente que o governo chinês introduziu medidas para cortar empréstimos no setor imobiliário.

Agora, sem a possibilidade de contrair novas dívidas, a empresa tem dificuldades para saldar as já existentes.

Sob a doutrina da "prosperidade comum", autoridades parecem tender mais a ajudar quem comprou imóveis da Evergrande ou clientes da área de gestão de patrimônio do que a companhia em si e instituições credoras.

Logo da Evergrande
Foi com o caso da Evergrande em mente que o governo chinês introduziu medidas para cortar empréstimos no setor imobiliário

Essa impressão foi confirmada em setembro, quando o Banco Central da China, sem mencionar diretamente a Evergrande, disse que clientes do mercado imobiliário receberão proteção contra eventuais solavancos.

Isso tudo se soma a uma grande dor de cabeça para os investidores internacionais, que viram as ações da empresa perderam mais de 80% em valor de mercado no intervalo de 6 meses.

Indústria dos games na mira

Quando, no começo de agosto, a mídia estatal chinesa classificou os jogos on-line de "ópio espiritual", a mensagem foi interpretada como um sinal de alerta.

A notícia fez desabar ações de empresas de games como Tencent e NetEase e forçou a indústria do setor se preparar para medidas de Pequim.

Para surpresa de ninguém, pouco tempo depois autoridades divulgaram planos para disciplinar jovens fãs dos games e impor regulações mais rígidas em plataformas.

Menores de idade foram informados que só poderiam jogar durante uma hora nas sextas-feiras, em fins de semana e feriados e apenas entre 20h e 21h.

As novas medidas significam que é responsabilidade das empresas de games evitar que as crianças descrumpram as regras. A fiscalização sobre as firmas foi reforçada.

Pequim também sinalizou que a vigilância sobre a atuação das empresas não vai parar por aqui. Em agosto foi publicado um plano de 10 pontos com uma programação até o fim de 2025 de mais ações regulatórias sobre a economia chinesa.

Ainda não está claro como essa nova abordagem vai influenciar a segunda maior economia do mundo. O resultado terá efeitos profundos em todos, vivendo ou não na China.

Essa é a segunda de uma série em três partes que examina as transformações da China e seu papel no mundo

A parte três vai explorar as implicações globais das modificações nos negócios e operações do país

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