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China avalia local para construir observatório no alto do planalto do Tibete

·3 minuto de leitura

A China pretende construir um observatório astronômico no planalto do Tibete, precisamente na província de Qinghai, a uma altitude de 4,2 km e cerca de 3.000 km de distância de Pequim. Em um novo estudo, conduzido pela Chinese Academy of Sciences, astrônomos revelam que o local tem condições favoráveis para a implementação do observatório, como pouca chuva e poluição luminosa, e que preencheria a lacuna na rede global existente.

O estudo se concentrou em um local próxima à cidade de Lenghu, na província de Qinghai. Durante três anos, um grupo de pesquisadores monitorou a região, percebendo condições parecidas com a de outros grandes observatório do mundo. Atualmente, os observatórios de alto nível se concentram no hemisfério ocidental — o Observatórios de Mauna Kea, localizado no Havaí; o Observatorio Paranal, no Chile; e o Observatório do Roque de los Muchachos, nas Ilhas Canárias.

O planalto do Tibete registrado a partir da Estação Espacial Internacional, em 2010 (Imagem: Reprodução/NASA)
O planalto do Tibete registrado a partir da Estação Espacial Internacional, em 2010 (Imagem: Reprodução/NASA)

Segundo Fei He, co-autor do artigo e especialista em óptica do Instituto de Geologia e Geofísica, encontrar um bom local na China, especialmente no planalto do Tibete, é essencial para o desenvolvimento da astronomia e da ciência planetária do país. O trabalho acompanha o foco chinês na construção de novas instalações de ciência e tecnologia ao redor do mundo, conforme explica Dean Cheng, especialista em atividades militares e espaciais chinesas na Heritage Foundation, um laboratório de ideias conservadoras sediada nos EUA.

Antes de concentrar a pesquisa no local próximo a Lenghu, os pesquisadores montaram equipamentos em três locais adicionais durantes os estágios iniciais, realizados entre 2016 e 2018. E, desde então, a região era vista como um ponto atraente por estar conectada à costa urbanizada no outro lado do país. "A área de Lenghu tem uma paisagem espetacular semelhante a Marte, portanto, o governo local queria desenvolver uma indústria turística especializada em astronomia e ciências planetárias", explica Cheng.

A equipe caminhou até o local, localizado na montanha de Saishiteng, a uma altitude de 4.200 metros — cerca de 60 metros mais elevado do que o observatório localizado no Havaí. Quanto maior for a elevação, menor será a interferência da atmosfera nas observações astronômicas. Além disso, a região possui um céu relativamente escuro e o governo de Lenghu já estabeleceu algumas medidas para manter a poluição luminosa em um nível baixo.

(Imagem: Reprodução/Licai Deng et al.)
(Imagem: Reprodução/Licai Deng et al.)

No local também chove pouco: apenas 18 milímetros de precipitação ao ano foram registrados nos últimos 30 anos e cerca de 3.500horas de luz solar. De modo geral, as análises da equipe sobre a estabilidade do ar, turbulência e vapor d’água também são promissoras. Mas a altitude, embora excelente para o trabalho, é um desafio de logística. "Antes que a estrada alcançasse o cume da montanha Saishiteng, os materiais de construção e ferramentas necessários foram transportados para o local por um helicóptero e os dispositivos científicos foram carregados manualmente até a montanha", aponta Cheng.

Ele também ressalta as vantagens para a comunidade local, estimada em 3.000 pessoas. É que o desenvolvimento científico promoverá o desenvolvimento do turismo local. “Durante a noite, ao caminhar na rua, também apresentamos as estrelas e os planetas a eles e que tipo de turismo pode ser desenvolvido”, acrescenta Cheng. A equipe também alertou sobre a necessidade de proteger o céu noturno para o desenvolvimento do observatório.

Lá do alto da montanha, o resultado é impressionante. "Quando você está no topo da montanha, pode ver a fantástica paisagem semelhante à de Marte na Bacia Qaidam durante o dia, e o magnífico e belo céu estrelado durante a noite", ressalta Cheng. O artigo detalhando a pesquisa foi publicado em 18 de agosto na revista Nature.

Fonte: Canaltech

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