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China assina na próxima semana acordo para baixar tensão comercial com EUA

Por Beiyi SEOW
Vice-primeiro-ministro da China, Liu He, em 22 de novembro de 2019, em Pequim

A China anunciou nesta quinta-feira (9) que o vice-presidente Liu He viajará a Washington na próxima semana para assinar a primeira fase de um acordo com os Estados Unidos para reduzir as tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo.

A assinatura é o resultado de quase dois anos de tensões que ameaçaram a economia mundial pela aplicação mútua de tarifas de bilhões de dólares sobre o comércio bilateral.

Principal negociador chinês na disputa comercial, Liu He estará em Washington entre segunda e quarta-feiras para assinar este acordo, conhecido como "phase one" ("fase um"), ou mini-acordo, informou o Ministério do Comércio.

Este é o primeiro passo para um pacto comercial mais ambicioso entre as duas potências.

Na semana passada, o presidente americano, Donald Trump, anunciou a assinatura do mini-acordo em 15 de janeiro, mas a China ainda não havia confirmado a viagem de seu negociador.

"A convite dos Estados Unidos, Liu He vai liderar a delegação em Washington, de 13 a 15 de janeiro, para assinar o acordo da primeira fase", disse o porta-voz do Ministério do Comércio, Gao Feng, em entrevista coletiva.

"Ambas as partes estão em estreita comunicação sobre o acordo detalhado", disse Gao, sem dar mais detalhes.

De acordo com autoridades em Washington e Pequim, o acordo inclui medidas relativas à proteção da propriedade intelectual, a alimentos e produtos agrícolas, a serviços financeiros e câmbio, bem como um dispositivo para a resolução de controvérsias.

Trump também cancelou seus planos de impor tarifas sobre US$ 160 bilhões em produtos chineses em dezembro, incluindo bens como telefones celulares.

Washington mantém, contudo, tarifas de US$ 250 bilhões sobre produtos chineses, como máquinas e dispositivos eletrônicos.

Segundo Robert Lighthizer, representante comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), a China prometeu comprar US$ 200 bilhões em produtos americanos nos próximos dois anos, principalmente agrícolas, energéticos, ou serviços.

O porta-voz Gao Feng se recusou, porém, a confirmar esse número na coletiva de imprensa desta quinta-feira.

Na semana passada, Donald Trump anunciou que, "mais tarde", viajará a Pequim para negociar um acordo mais amplo, embora, segundo Gao, no momento "não haja informações sobre a fase dois" das negociações.

Analistas apontam que essa guerra comercial, com ramificações em outras economias do planeta, pode causar a separação entre a economia chinesa e a dos Estados Unidos.

A trégua comercial é uma boa notícia para o presidente chinês, Xi Jinping, que tem de enfrentar o freio na economia do gigante asiático, bem como protestos pró-democracia em Hong Kong.