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China agora tem app para checar possível contato com o Covid-19 (coronavírus)

Claudio Yuge

Como todo mundo sabe, a China conta com uma grande rede de monitoramento de informações em suas fronteiras, tanto na internet quanto em serviços da "vida real", inclusive com a ajuda de câmeras. Esse sistema todo consegue coletar dados suficientes para traçar o perfil dos cidadãos e saber, por exemplo, onde eles transitaram e quais atividades fizeram durante os últimos meses. Embora seja invasivo, esse mapeamento pode ajudar em diversas crises, como a do Covid-19 (nome oficial do novo coronavírus).

O governo, em parceria com a China Electronics Technology Group, criou um app capaz de informar se os usuários estiveram perto de áreas afetadas pela doença em solo chinês. Para isso, é preciso escanear um código QR por meio de utilitários populares, a exemplo do WeChat ou do AliPay. Em seguida, é necessário enviar os números de telefone e de identificação pessoal. 

Imagem: Reprodução/BBC News

A ferramenta, chamada de “Close Contact” (ou “Contato Direto") vasculha dados compartilhados por várias agências governamentais, incluindo a Comissão Nacional de Saúde, o Ministério dos Transportes, a China Railway e a Administração de Aviação Civil da China. Entre as áreas de risco estão locais com registro de ocorrências, sejam ambientes de trabalho, veículos com janelas vedadas (como um trem com ar condicionado ou um avião) ou residências.

O software provavelmente cruza as "pegadas digitais" dos usuários, a partir dos apps e credenciais cadastrados. Se o aplicativo determinar que houve um contato próximo com o Covid-19, então recomenda que a pessoa fique em casa e entre em contato com os oficiais de saúde.

Para especialista, app não se encaixa em invasão de privacidade

Mesmo que nesse caso aparentemente não haja assim um rastreamento tão íntimo, e sim o uso de dados públicos de agências do governo com informações cedidas pelas próprias pessoas, Carolyn Bigg, advogada de tecnologia do escritório de advocacia DLA Piper, foi consultada pela BBC News, que perguntou à especialista as implicações sobre esse uso massivo de informações. “Na China e na Ásia, os dados não são vistos como algo a ser bloqueado; é algo que pode ser usado, desde que seja feito de maneira transparente e com consentimento, quando necessário”, explicou.

“Do ponto de vista chinês, este [aplicativo] é um serviço realmente útil para as pessoas. É uma ferramenta muito poderosa, que efetivamente mostra o poder dos dados sendo usados ​​para o bem", complementou.

Fonte: Canaltech

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