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Chile intervém no câmbio com US$ 25 bilhões para defender peso

(Bloomberg) -- O banco central chileno anunciou planos para apoiar o peso depois que a moeda do país despencou para uma mínima recorde, alimentando a inflação que já está em quase quatro vezes a meta.

Quinta-feira à noite, a autoridade monetária do país disse que realizará uma intervenção cambial de US$ 25 bilhões, entre 18 de julho a 30 de setembro. O plano inclui até US$ 10 bilhões em vendas de dólar no mercado spot e proteção cambial que pode chegar ao mesmo valor.

“Com a narrativa de recessão global começando a dominar o cenário de investimentos, o banco central chileno está tentando parar o impulso de queda em sua moeda”, disse Todd Schubert, chefe de pesquisa de renda fixa do Bank of Singapore. A queda nos preços do cobre levou à forte desvalorização do peso, já que o Chile é o maior produtor de cobre do mundo, disse.

O peso chileno caiu para uma mínima recorde de 1.060,40 por dólar na quinta-feira, com a moeda americana se fortalecendo globalmente e o preço do cobre em queda. O peso já se desvalorizou quase 19% este ano.

O anúncio da intervenção veio após o ministro das finanças Mario Marcel dizer que o governo estava estudando maneiras de aliviar os efeitos da moeda mais fraca e instou o banco central a comentar sobre o assunto.

Os formuladores de política monetária já estenderam aumentos agressivos de juros em um esforço para domar a inflação anual que provavelmente subiu para 12,7% em junho, de acordo com estimativas em uma pesquisa da Bloomberg. Uma moeda mais fraca torna os bens importados mais caros, aumentando as pressões sobre os preços.

A incerteza política também está prejudicando o peso. O Chile se aproxima de um referendo em 4 de setembro sobre uma proposta de nova constituição. Enquetes mostram que mais eleitores estão inclinados a rejeitar o rascunho do documento, enquanto um projeto de lei para reduzir a maioria necessária para reformar a atual carta tramita pelo congresso.

O banco central implementou medidas cambiais em 2019, quando o peso caiu em meio a protestos de rua em massa, e novamente em 2020, no início da pandemia. As políticas incluíam vendas de dólar e swaps cambiais.

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